O Velório.


Pegue aqueles traços delicados que sente ao roçar sua pele; o busto de cerâmica em que outrora pareciam tão macios.

 Veja! Não seria este o velório de sua vida ao imaginar que o cheiro sem perfume algum da pele que ardia, hoje, já é tão mais agradável do que o odor vulgar que invade o recinto? Este não seria o abandono da fortuna que antigamente as notas eram tão mais novas, verdes e sinceras?
Não, meu amigo. Ninguém esteve vivo para morrer; ninguém ficou rico para empobrecer.
O que passa é que teu úmido vazio se deixou estraçalhar pelo tempo que vazou pela torneira durante todas as manhãs em que você acordava e lavava teu rosto ao mesmo tempo em que pensava: “O que foi que aconteceu?”.
A ilusão te custou a sorte que antes era abundante; da qual, agora, nada mais resta.
Anda pelas noites escuras entre ratos embriagados tentando descobrir o que faz falta.

Mas nada parece fazer falta. Nada parece sem respostas.

Você sabe a resposta!

Pegue aqueles traços delicados e o busto de cerâmica…

Diga-lhes que estava enganado.

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