Água Doce.

Repousado e deitado na beira do mar, vejo a onda, lá ao longe, fingindo ser mansinha, vindo vagarosamente ao longe.

Pouca água vem até mim. É inverno! Mas não há com o que se preocupar.

Encosto a nuca na areia e sinto o gelado!

De onde vêm estas águas? Quais continentes elas tocaram! Quais os mais belos mares que cada gota já tocou antes de encostar-se a meu corpo desforme, minha pele enrugada e meus cabelos já ressequidos em que, outrora, formavam belos cachos castanhos que com o passar do tempo se transformaram numa esponja de fios prateados em desordem.

De onde vieram estas águas?

Lá vem ela. A onda que vi ao longe cresce e se aproxima. Ela é linda! Passa por mim cobrindo meu corpo e arrancando meu sossego. Gelada e agressiva, arrasta-me para trás. Numa tentativa inútil, finco meus dedos na areia que escorrega por entre meus dedos deixando-me a sorte.

Levanto com os olhos ardendo. A boca com um gosto salgado que aos poucos fica amargo. Escarro vendo a onda sossegar à margem da praia e retornando silenciosamente ao mar, levando consigo toda a água que ali antes estava.

Ficam meus pés descalços na areia mole e ensopada. Lá se vai a onda. Não sei se ela me atingirá mais uma vez.

Escarro o sal e esfrego meus olhos.

Arde. Mas passa tão rápido.

Viro as costas ao mar e desejo boa sorte para a onda! Que ela visite outras praias.

Agora preciso de água doce.

 

– Sérgio Charro

30 anos (Anos incríveis)

– Quero morrer antes dos 30.

Essa era a frase proclamada por Sérgio Charro ao longo de sua década de vinte anos.

Hoje?

Não tenho medo, mas prefiro ficar vivinho! Descobri pouco sobre o outro lado pra saber se é divertido!

Faltam pouco mais de 40 minutos pros meus 30 anos, e ainda estou aqui! Vivo, apaixonado, escrevendo… Vivendo.

30 anos… E quem diria… Eu tenho complexos, sim, com a idade! E hoje (agora) estou festejando a partida da casa dos 20. A melhor década! Não quero comemorar a chegada dos trinta, mas sim o que deixei pra trás em dez anos de amizades, brigas e loucuras… E muita vodca… Muita…

Cara… Escrever nos últimos minutos antes de fazer 30 é estranho!

Queria estar beijando minha menina.

Queria estar dentro da minha Ferrari.

Queria estar “gerundiando” adoidado por aí! Mas não!

Estou fazendo um post exterminando minha década de 20 anos.

Mas posso dizer uma coisa! O inferno astral se foi e tive os melhores 4 dias dos meus 20.

Vi meus amigos nesses dias. Vi e ouvi o que queria e não queria sem me importar! Tive doces lábios ofegando contra os meus antes do desejar de uma boa noite. Tomei vinho do porto com um bom amigo. Joguei dardos e truco com minha família. Me entristeci quando acabou e restou os minutos finais do que seria a vida perfeita de qualquer boêmio.

Mas sim!

Faltaram algumas coisas!

Faltou aquele amigo que estragou minha cara numa noite de outono!

Faltou outro amigo que não quer crescer!

Faltou a Wilminha! A Doce Wilminha com suas conversas sérias.

Faltou a Fernanda! Ah, a Fernanda! Que saudades!

Faltou um vinho bom com o Danilo!

Faltou a Graça, a Elda, Camilla, Nessa, Jade, Débora, Danilo. Sem citar a Glaucia.

Faltaram também alguns tios. Alguns primos.

Faltou uma amiga do Rio!

Faltou….

Calma, Charrinho! Do que está reclamando?

Não faltou nada, essas pessoas estão aí, e se não foi nos vinte, estarão nos 30.

A grande força do apontador que uniu o que tenho hoje! Tenho muitas coisas!

Uma década de erros e acertos.

Para com os que eu errei. Me perdoem. Nunca nada é por mal por mais que aconteça!

Para com quem acertei… Ganhou uma paçoca! Me cobrem!

Que o título de “Seu Charro” caia-me bem!

Adeus, vinte anos!

Que venha agora os 30!

Não deve ser tão ruim.

 

Beijos e Abraços.

3.0 Versão Beta!

Com o tempo a gente aprende coisas novas e ainda usa métodos antigos.

Mas eles funcionam!

As lições precisam de mais empenho para serem absorvidas!
Esses dias não foram de auto-piedade (Viu, Woodland).

Mas olha que o inverno me cai bem!

O inverno me traz recordações sobre a Lua, sobre vinho e sobre ficar debaixo das cobertas, ainda que não embriagado, dando risadas despreocupadas. O inverno me traz lembranças de bares, conversas julinas, sobre como  vento é cortante quando se anda na Av. Paulista.

Meu trajeto invernal anda diferente.

Tenho trabalhado em Osasco. É longe, mas é divertido. Hoje foi um dia diferente, graças à Osasco. É ruim ir pra lá. É ruim voltar pra São Paulo. Metrô e trem cheio de gente… Se não fosse o aperto, isso também seria bom.

Hoje vou cortar as unhas. Hoje vou raspar a barba. Hoje vou cortar o cabelo. Hoje vou ser o Sérgio. Amanhã? Ah, amanhã vou escrever, sem dúvidas! Preparar uma garrafa de café e escrever…

A vodca?… Hum… Chega de auto destruição até o tédio chegar! A cerveja? Hum… Uma só! Um vinho? Uma garrafa de Cabernet… Uma conversa? Bem-vinda em qualquer hora do dia e qualquer hora da noite.

Nos tons de cinza desaparecem no crepúsculo invernal e dão boas novas para qualquer canceriano que anda por aí.

PostScriptum:  Sim… Cancerianos são loucos e bi-polares.

Ósculos e Amplexos!