SOBRE ABRAÇAR ÁRVORES.

Existe hoje uma atmosfera pesada na sociedade, não sei se só apenas os brasileiros sofrem com isso, mas imagino que não. Pessoas com mais fundamentos e mais estudos do que eu poderiam me tirar esse tipo de dúvida. Mas neste Natal morreu um homem. Um homem chamado Luiz Carlos Ruas; atacado brutalmente ao defender um homossexual.

Isso me faz pensar se a “família brasileira” apoia essa atitude.

Vamos manter os bons costumes!

Quando penso nesse texto ultrapassado de manter os bons costumes, de que a clássica família brasileira está em ruínas e que a causa disso são as minorias, como homossexuais, negros, nordestinos (Nordestinos minoria??? Sei não!), e por aí vai, me dá uma vontade imensa de abraçar uma árvore.

Alguns de vocês vão dizer: “Apoiamos a moral e os bons costumes, mas não a violência”. Mas a partir do momento em que plantamos a semente de que tudo o que, AO NOSSO VER,  é errado e prejudicial, e deve ser combatido com força, me desculpem, mas sim! Estamos semeando essa violência na sociedade!

Não existe como você criar uma família sem ensinar teus filhos a aceitarem as diferenças! Quando você impõe a regra de que quer viver dentro de uma bolha, recusar os desfavorecidos e mostrar aos teus que tudo ao seu redor é lindo e que se foda o resto, você está ceifando a vida de mais um Luiz Carlos Ruas.

“Mas você não tem filhos, não sabe o que é criar uma família aos 33 anos de idade”.

Tem razão! Mas a causa disso é porque eu quero fazer isso muito bem feito, e SE fizer!

Não quero colocar nada no mundo que um dia possa causar mal a alguém! Então preciso aprender e crescer como gente de verdade pra poder colocar pessoas nesse mundo.

Até lá ainda irei abraçar uma árvore e explicar para as pessoas que o cachorro alheio, que um pé de chuchu, que o morador de rua, homossexual, heterossexual, o de esquerda, o de direita, as variadas cores de pele e, não menos importante, pessoas do Sul ao Norte, são todos importantes uns para os outros! Criar bolhas isoladas é como dar origem à uma célula cancerígena.

É hora de todos nos unirmos e dar um jeito nisso. Isso é uma questão humanitária, não só de política!

Eu não entendo a dificuldade nisso, e isso me deixa puto! Me deixa puto essa sociedade que gosta de se foder! Me deixa puto ver Luizes, Marias, Paulos, Amandas, Josés e Rafaelas serem mortos todos os dias por coisas banais e por intolerância.

Chega, gente…

Vamos ensinar que podemos ser melhores do que isso. Que apreciar o cão de um transeunte alheio faz parte de admirar o mundo em que vivemos e que, se fossemos uma raça inteligente mesmo, como gostamos de dizer, trataríamos toda a natureza e os seres que nela vivem como uma única e grande família. Um não vive sem o outro.

Abrace uma árvore, abrace um desconhecido e abrace carinhosamente tudo o que vê pela frente.

Só assim pode haver a verdadeira harmonia.

E QUE EM 2017 TODOS ACORDEM PARA A REALIDADE.

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O pacífico povo brasileiro.

Foi difícil abrir os olhos com a luz do Sol forte do jeito que estava. Esfreguei a testa e levantei aos poucos. O lençol amarronzado estava bagunçado na calçada. Olhei a guia e dei um gole da água que por ela passava!

Era uma linda manhã.

Os moradores das calçadas vizinhas, assim como eu, já começavam a despertar. Seria um ótimo dia para caçar pombos e ratos. Fredie, meu cão vira-latas, havia cagado dentro da calçada. Claro que Daiane, minha mulher, ficou muito puta com a situação… Quantas vezes já dissemos para que Fredie não cagasse dentro da calçada! Mas ele não aprendia a fazer suas necessidades na rua, ele tinha mesmo é que defecar dentro de nossa calçada.

Enquanto eu espancava o cão, o homem que tomou minha casa saiu. Me apoiou pela atitude enérgica e em seguida cobrou o aluguel da minha calçada que agora era dele. Paguei, claro, pois ele me tratava muito bem desde que havia invadido meu lar.

Era uma linda manhã.

Todos os moradores das calçadas de minha rua saíram para caçar, mas não eu. Naquele dia decidi ficar com minha esposa, pois ainda tínhamos quatro baratas desidratadas, uma cebola que o homem rico que roubou minha casa havia dado no dia anterior (que homem bom é ele), e dois pedaços de bolo que a Igreja nos deu no dia de Santo Antonio. Estávamos fartos de alimento naquele dia, e fora que, de qualquer forma, se faltasse comida poderíamos matar Fredie, nosso fiel cão, e comer a carne dele.

Foi uma linda manhã até que a tarde passou e o pôr-do-sol se aninhou.

Os homens ricos que haviam roubado nossas casas por todo bairro, cidade, estado e país retornaram de seus trabalhos, nos deram boa noite e entraram para dentro de nossas que agora eram suas casas.

Retribuímos o boa noite e ficamos felizes por eles terem lembrado da gente que morava ali em suas, nossas, calçadas.

Estávamos felizes com nossa situação. Ainda havia uma calçada para morar.

Aquele foi um lindo dia.

Daiane estendeu o lençol sujo na calçada. Dormimos.

Acordei com os latidos de Fredie no meio da madrugada. Aquele maldito cão havia acabado de morder o homem rico que havia tomado minha casa. O homem rico só estava tentando pegar, embaixo do paralelepípedo que me servia de travesseiro, a carteira com o pouco de dinheiro que restava dentro dela.

Fiquei furioso.

Chutei o Fredie. “Cachorro mau” eu repetia. Entreguei a carteira para o homem rico que sorriu e bateu a mão em meu ombro antes de entrar para minha casa que agora era dele.

Minha esposa bufou.

“Amanhã damos um jeito nele”, eu disse.

“Espero que sim”, ela respondeu.

E eu sabia que a manhã seguinte também seria linda.

Mataríamos Fredie e teríamos um ótimo ensopado de cachorro mal educado.

Quando teus deuses…

Entenda que
Todos os dias quando você acorda
Teus deuses dizem o que fazer

Eles dizem:
Faça desse jeito, assim
Assim que gosto de ver

Entenda que
Quando você deita na cama
Você ora para seus deuses

Eles dizem:
Se fizer o que mando
Te perdoarei várias vezes

Tente se entender
Descubra-se
Não se frustre
Mande teus deuses à merda

“Amai-vos uns aos outros”

Quando teus deuses não lhe aceitarei assim
Algo há de errado em você
Ame por amar
Mas não por desejar