Certeza que não tenho certezas… Mas não estou certo disso.

Uma pessoa bastante querida me pediu pra escrever o que eu acho sobre “certeza”.

Eu acho que é muita pretensão dar um parecer sobre uma única palavra! As palavras possuem muitos significados e ocasiões para serem aplicadas. Cada ocasião e circunstância fazem uma palavra ser diferente! Mas tentarei falar disso da forma mais crua possível uma vez que o pedido foi feito, afinal, não me lembro até hoje de ter negado um tema para alguém que pediu. Então vamos lá!
Certezas.

Até pouco tempo atrás eu era uma pessoa cheia de certezas.

Acreditava que ter a certeza de um acontecimento faria a diferença em minhas decisões e de como eu levaria tudo para frente, mas a verdade é que as incertezas se tornaram bem mais palpáveis na minha existência!

Fiz catequese na certeza da existência de um Deus. Mas eu estava certo demais e fazia perguntas das quais ninguém sabia como responder.

Depois de um tempo eu tinha certeza que viraria arquiteto. Desisti quando descobri que arquitetura envolvia cálculos demais.

Aí veio a primeira namorada e a certeza de que tudo ia ser lindo. Não foi.

Tive a certeza que nunca me recuperaria do término. Achei que morreria da forma mais poética do mundo, mas não morri.

Tive a certeza de que eu seria um rapaz romântico para sempre e, com isso, coloquei por água abaixo as certezas de outras pessoas e suas expectativas com minha pessoa. Estraçalhei certezas como fizeram com as minhas, e tive a certeza de que eu estava certo. Mais uma vez a incerteza apareceu.

Não tenho certeza se eu estava errado, mas não tenho certeza se eu estava certo.

Talvez eu nem tenha certeza se as feridas foram tão grandes.

Nem tenho certeza se o ódio vai ser eterno.

Eu tinha certeza, meses atrás, que minha rotina mudaria no fim do ano passado…

Não mudou.

Caso você seja uma pessoa cheia de certezas, vou deixar algo para você refletir.

As certezas te traem.

Além do mais, ter certeza de algo é negar as possibilidades diferentes que a vida lhe traz. Como por exemplo: Ter certeza de que um casamento dará certo para sempre é negar o desconhecido no metrô que poderia te fazer bem mais feliz do que a pessoa que você diz que ama. Ter a certeza de um Deus é negar as possibilidades de aproveitar a vida com o simples medo de ir para o inferno. Por outro lado, ter certeza que um Deus não existe pode fazer você ir para o inferno!

Não tenha certezas. Tenha vontades. Faça o que tiver vontade no momento em que estiver vivendo. Ter certeza de algo pode te obrigar a viver aquilo para todo sempre.

Se eu seguisse a certeza de ser arquiteto, como poderia me descobrir muito melhor escritor? E eu nem tenho certeza se sou bom escritor, mas é o que eu tenho vontade de fazer agora. De repente sou melhor faturista do que escritor. Melhor pintor do que faturista. Melhor canceriano do que pintor. Melhor mendigo do que canceriano… Vai saber… Não sei.

E não tenha certeza de que isso que escrevo está certo.

Eu mesmo não tenho certeza de nada.

Não carrego nem mesmo a certeza de que um dia eu vou morrer.

Ósculos e Amplexos.

(Esse texto foi escrito para a doce Danielle Martins, que me questionou sobre isso).

A grande confusão da vida cotidiana.

Fui pra Ilha do Mel no carnaval.

Amei demais, mais do que devia.

Andei muito de barco.

(Todas paranaenses são bonitas?? Mesmo??? Acho que sim!!)

Carnaval acabou rápido.

Voltei pra São Paulo.

Fui trabalhar.

Cansei.

2×0 pro Corinthians.

Disco novo do Blur.

Subiu o nível da Cantareira.

Paguei meu primeiro IPVA.

A Dilma não reconheceu o embaixador da Indonésia.

Idosa é presa por não pagar pensão aos netos.

Sexta-feira, oito e meia da noite, eu ainda estava no escritório.

Volta pra casa.

Pega metrô.

Tinha uma japonesa bonita!

Chega em casa.

Senta.

Não tem cerveja.

Atende telefone.

Faz confusão atendendo como se estivesse no escritório.

Desliga telefone.

Atende de novo.

Dessa vez atende certo.

Desliga de novo

É difícil se recuperar do mundo quando se passa um carnaval inteiro isolado.

Faz uma semana que coloquei meus pés naquele ônibus pra aproveitar a vida, e parece que foi ontem que fiz isso.

Diante de tudo isso eu pergunto:

– Será que realmente estamos levando nossa vida à sério tendo atitudes mecânicas diariamente enquanto em um lugar bem distante têm pessoas que trabalham e aproveitam a paisagem ao mesmo tempo?

Será que São Paulo é mesmo a melhor opção pra viver?

Já ocorreu que este orgulho de viver em uma megalópole não passa de um suicídio diário?

Quando eu voltei fiquei confuso com as informações, até mesmo as que chegaram até mim depois da volta.

Estou me desabituando. Estou cansando.

Não precisa parar o mundo pra eu descer. Apenas reduza a velocidade pra eu poder voltar pra Ilha ou pra qualquer lugar onde as pessoas não possam me confundir. Um lugar onde eu possa, como diz minha amiga Sara, tirar férias de mim mesmo!

Pensando bem, não preciso de férias de mim mesmo!

Preciso mesmo é de férias de vocês!

– Caralho! Esqueci de ligar pra Larissa na quinta-feira! Estou fodido…