Carta aberta

Uma carta aberta.

Não posso mais acreditar.

Esses dias fiquei matutando sobre as coisas irreais e reais e, acredite em mim, acho que as coisas das quais acreditei durante quase dez anos da minha vida, não passaram de uma doce canção em busca de uma realidade bem mais divertida do que a em que existo.

Bom, de início, quem sou eu pra questionar o que existe além dos olhos que carrego na face? Certamente sou nada pra isso. Mas uma verdade inquestionável é que a banalidade corroeu meu tutano de tal forma que não consigo mais acreditar.

No entanto houve um lado bom.

O tutano que vazou liberou o glamour para com minha própria pessoa. Hoje acredito no que sou e não no que me disseram para acreditar. Não tenho mais heróis como eu tinha antes. Meus deuses caíram num torpor sem fim e eu agradeço por isso.

Não é ingratidão e nem desprezo. Não passa de um alívio disforme que molda as características do que me tornei nos dias de hoje e me sinto agradecido por isso.

Desde quando sua verdade foi maior e mais bela que a minha?

Tenho meus deuses e meus rituais, e sempre que alguém me fala de coisas ocultas, logo acendo a lanterna dentro de mim para iluminar aquilo que se esconde sob as trevas das palavras que me soltam.

Não sei se é mentira e nem se é verdade.  Pra falar com franqueza, eu nem me importo.

Nos detalhes eu pego as falhas. Nas acusações eu vejo insanidade. Na incompreensão e no saco cheio de razões encontro suas verdades que me são quase que absolutamente mentiras e encontro minha “ignorância” que me faz bem.

Pegue sua terra e me escreva sobre ela.

Sua literatura não pode, em hipótese alguma, falar mais verdades do que o mais breve de meus sonhos.