Uma ideia diferente para se escrever!

Olha só!
Deixando as “Crônicas de Oníria” de lado (Nome provisório), e a correria pra publicar o “Refúgio dos Anjos”, resolvi embarcar em algo mais infantil! Sou rodeado pelos filhos de meus amigos que, modéstia à parte, adoram minha pessoa! Então pensei: “Qual o motivo que ainda não escrevi ainda algo para eles?”… Algo que não fosse obrigatório publicar (como se eu já tivesse publicado algo), mas que, no fim das contas, fosse apenas um presente para eles.
“Ah, mas você já escreveu o Willie”… Ok! Mas a ideia do Willie era um texto adulto e sanguinário em que poucas pessoas colocaram as vistas nos textos originais. A adaptação para um livro infantil do Willie foi puramente forçado para um trabalho de faculdade… Eu queria escrever algo que nascesse infantil! Pois bem!
A ideia foi tão empolgante que, como em poucas vezes, o titulo veio antes da ideia principal, e através do título veio o tema do texto.
Sentei-me hoje, deixei os personagens amargos e os elfos de lado para escrever sobre crianças.
Fiz uma pequena introdução que deixarei aqui para vocês. Vai ser um prazer escrever isso!

Apresento-lhes a primeira folha de:

Que mal fazem os monstros embaixo da cama?

Antes de tudo, pequeno amigo, devo lhe dizer que por muitos anos, quando eu era criança, da sua idade talvez, eu sofria muito com medo do escuro e com os seres que nele viviam, mas, de fato, uma coisa devo dizer: Os monstros que viviam embaixo das camas de casas e hotéis, ou de qualquer lugar, eram bem mais aterrorizantes que os demais! Isso porque eles poderiam estar lá em plena luz do dia. Podiam surgir depois de uma manhã ensolarada, numa tarde nublada ou nos fins de semana em que meus primos vinham brincar comigo na piscina de plástico que havia no quintal dos fundos de minha casa. Os monstros que viviam embaixo da minha cama, ou da cama da minha irmã e, até mesmo da enorme cama de meus pais, estavam lá a todo o momento, isso porque não importa o que se faça, debaixo da cama é sempre escuro.
Não feche este livro ainda! Fique calmo. Se necessário, peça para que algum adulto o leia para você; por mais que eles não entendam o mundo das crianças, pois a maioria perde este dom com a passagem dos anos, tenho certeza de que muitos deles, ainda que sejam atarefados e ranzinzas em boa parte do tempo, sempre adoram ler para as crianças. Mas caso você seja uma daquelas meninas aventureiras, ou um dos meninos corajosos, desafio você a pegar uma lanterna e, no meio da noite, fazer uma cabana com seus cobertores e realizar a leitura desta história que irei lhe contar. Caso não tenha coragem, não se envergonhe! Eu mesmo, em sua idade, não teria esta coragem. Nunca é fácil ler sobre os monstros em baixo da cama quando estamos sozinhos. Revelarei até um segredo: Eu ainda tenho medo de histórias de terror, mesmo eu já sendo um adulto atarefado e ranzinza! Todos temos medos, os adultos também, senão mais do que as crianças.
Acontece que as pessoas grandes fingem que não têm medo, e sempre dizem que os terrores infantis são bobagens! Blá! Do que os adultos entendem de medo? As crianças sim entendem e sempre enfrentam monstros a todo o tempo.
Outros tipos de monstros atormentam as pessoas crescidas, mas essa vai ser uma história para outra ocasião. Hoje vamos falar dos monstros das crianças, como você e como eu era antes de crescer!
Está preparado?
Ótimo, pequenino. Então começarei a contar a história de seis crianças que, assim como você, adoravam uma boa aventura junto aos amigos.

Um mundo escondido.

Assim que entrou pela porta do estabelecimento, Virgílio sacudiu o guarda-chuva e olhou ao seu redor. Não havia quem prestasse atenção em suas roupas ensopadas. Da cintura para baixo ele era tecido e água, tudo grudado em seu corpo quase forçando um amálgama.

Passou pelo balcão e pediu o material que precisava. A balconista blasé lhe entregou cem folhas de papel coche e aguardou o pagamento.

Havia muitas pessoas na papelaria, mas ninguém parecia notar um ao outro. Parou na porta e preparou o guarda-chuva mais uma vez… Respirou com pesar olhando a garoa que passava desordenadamente por causa do vento.

– Essa garoa parece que não vai mais parar – a voz vinha de uma menina de cabelos pintados de vermelho, sardas pela bochecha e profundos olhos verdes.

– É. Acho que não vai parar tão cedo – disse Virgílio olhando novamente para o asfalto que brilhava com as luzes do poste refletidas na superfície negra.

– Danna.

– Como?

– Danna… É meu nome.

– Danna? Um pouco incomum… Nome ou apelido?

– Nome mesmo. Minha família não é daqui.

– Hum… Virgílio.

– Que nome de velho!

– É… Eu sei. Meus pais são daqui.

– E o resto?

– Portugueses.

– Hum…

– Vai até aonde, Danna?

– Até o metrô, mas estou com medo de molhar as cartolinas.

– Quer carona de guarda-chuva?

E assim, Virgílio e Danna caminharam da papelaria até a estação de metrô. Trocaram informações sobre o que estudavam e sobre no que trabalhavam… Gostavam dos mesmos filmes e do mesmo escritor. Ela expressou sobre como a barba dele a agradava… Ele disse que o vermelho dos seus cabelos era lindo, ainda que artificial.

Moravam na mesma parte da cidade, o que deu à eles um grande tempo de conversa. Ao se despedirem, beijaram-se de forma úmida e gentil. Os lábios escorregavam e quase se laçavam. A garoa já havia cessado.

– Quando te vejo novamente?

– Quando? Você nunca me viu!

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Foi despertado de seu sonho acordado quando sua estação foi anunciada. Estava sozinho e ainda molhado, mas o rosto da menina que havia visto, não saia de sua mente. Ela era linda, e seu nome era mesmo Danna… Nome diferente, mas bonito. Imaginar o que poderia ter acontecido era sempre mais divertido. Seu mundo era bem mais legal do que o mundo do lado de fora.
Fez bem à ele saber que ela existia. Quem dera todos prestassem mais atenção às pessoas ao redor.
As pessoas não prestavam atenção, mas ele sim… Ele nunca perdia detalhes.

Dá-te

Dá-te o direito de deitar e transbordar derramando-se em si mesmo.

Acenda a fagulha muito já apagada no calafrio de uma noite cinzenta.

Diga àquele que te domina as verdades que ele não quer saber.

Fale alto sobre teu dia bom e sobre como o Sol brilhava em tua cabeça.

 

Festeje no tempo frio; dance no Outono.

Festeje na Primavera; derreta-se no Verão.

Largue as manias de se repreender.

Não tente escandir o que não tem separação.

 

Os tempos são outros.

A idade não é a mesma.

Esqueça a aflição.

Apenas se sente nesta mesa.