Férias!!!!

 Bom.

Notifico que estou de férias deste Blog e das minhas escritas…
Hoje foi um dia feliz e triste. Sinto que é a última vez que vejo uma pessoa que amo. Eu te amo. Final feliz tivemos hoje… Eu achei… te amo!! Você é foda!!! Que triste foi.
Hoje uma parte de mim se foi… a outra metade não sei quanto dura… Não vou escrever aqui até cumprir minha promessa.

Prometi que te faria um poema… Vou fazer de uma forma clássica… métrica perfeita e rima fascinante… você vai ver!

 Só posto novamente quando for pra postar a poesia que te prometi. Amo-te.

 Para os outros que gostam de meus textos… Não fiquem bravos… Agradeço a todos pelo carinho… pode ser que na semana quem vem estou de volta. Só quero cumprir uma promessa em paz. Obrigado aos elogios rasgantes que me empolgaram e me deram força pra ver quais são minhas verdadeiras paixões.

 Se se sentirem perdidos sem meus textos (quanta pretenção), peço que escrevam seus prórpios textos. Com a alma… qualquer um escreve melhor que eu… eu sou um nada… sou bom para nada… é o que me provaram… somente bom pra nada. (drama canceriano).

 Como dizia um cara foda… o melhor de todos… ” Ora. Se você quiser se divertir, invente suas próprias canções” (ç) (bêbado).

Amo-te, Glau… Amo-te.

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Tádificil?váparaopróximoblog!

Hojenãoestoumeimportantolácommuitacoisa. Quemseráquevaiconseguirleresseartigoatéofim?Nemsei.

Éengraçadooquemuitasmeninaschamamdehomem.Umcarabonitinhocomo
cabelosuperdescoladoequefingegostardasmesmascoisasquevocêsópra
teagradaretecatar,aícomorgulhodelevocêvaieliberasuaalmapraele.
Não,nãosoubonito,maspossosermuitomaisdoquequalquercaralindinhodesses
dizematéqueseicomotratarumamulher!eissonãoébom?
eunãoconsigomaisacreditartantoemrelacionamentos,aspessoasestãomais
preocupadascomaaparenciadocara.Dane-seseeleéinteligente,desdequenãotenhabarriga,nãováficarcareca,sejasexye
desdequeminhasamigasachemelebonito,estátudoperfeito.
olhapossoseroquefor,masseidemeuconteúdo.Enaverdadeatétemmuitasmeninas
emeninosquevalorizamoquetenhonacabeça.Afinal,compensamaisserbelo
ousabercomosecomportarcomalguém?aimeudeus,dáraivaquandopensonessahistória,equersaberdeumacoisa?euamoessaraivatoda,ficofelizcomela,poieéelaqueestámefazendoverpessoas
queeusempredeveriatervistomaisnuncavi.
soufeitoestetexto.Possonãoterasvírgulasnecessáriasparaserumcaralegalpra
você,masconfionomeuconteúdo.

Meu amado amor.

 Ah.

 Já não existe mais a dor de um amor desperdiçado. Ele é tão bonito. Hoje senti ele tão gostoso dentro de mim. O meu amor. E já que não o aceitas de bom grado, decidi que não vou mais chorar! Quanta besteira chorar!! Olhe pra ele. Tão bonito! Melhor pra mim que não o queira, pois posso ficar com ele todinho pra mim. Aproveitar ele em mim.

 Hoje ele chegou bem pertinho de mim e me deu um abraço carente, pois não é fácil pra ninguém ser rejeitado. Aí removi a coleira que havia nele com seu nome; ele se abanou um pouco e pulou no meu colo. Gostei dele.

 Gosto do meu amor. Ele é bonito. Posso ficar com ele pra mim, e não preciso de você pra cuidar dele. E de repente o que vejo, é que é até melhor assim. Porque se uma hora você se esquecesse de alimentá-lo, eu ia ficar muito chateado.

  Lembro-me dos dias que você tinha aceitado ficar com ele, que pouco antes de eu pegá-lo de volta, você ficou dias sem cuidar dele. Ele voltou muito maltratado.

 Sendo assim, acho melhor e mais gostoso que ele fique aqui comigo, pra sempre…

 Vou gastá-lo todinho, sozinho… Aproveitar o máximo dele até não sobrar mais nada,

 

 Eu amo o meu amor.

Que pena…

 Seria uma pena se tudo isso se fosse como começou… seria uma pena se não tivessemos uma história para contar.
 Perdoe-me por fingir que não existe… Me desculpe por todas as palavras doces que deveriam ter saído de minha boca. Mas que travaram diante de teu olhar que não era para mim.
 Mas que olhar mais comum é este o teu? Olhar que facilmente se confunde ao meio de uma multidão… Quantos traços iguais carrega consigo… Como você é comum…
 Mas, minha querida. Entre muitas, é você quem eu noto! Não confundiria tamanha delicadeza com outras mil mulheres… Para mim, teus traços comuns, são os mais bem feitos entre todas as estravagâncias que me deparei, dentre todas as coisas exóticas, é você quem se destaca por querer ser tão comum… E que olhos são estes, os teus? Olhos ferventes que me deixa nervoso ao ver que estes não cruzam os meus. Olhos tão parceiros de teu sorriso… Ah! Que sorriso é este? Não. Não falarei de teu sorriso. Pois é ele quem passou a me atormentar…
 Porque não sorri para mim?
 Apenas uma vez.
 Apenas um riso teu, seja pra mim ou de mim. Não me importo. Pois num mundo onde os valores de belas palavras não possuem o mesmo valor de antes, cabe a mim apenas te assistir e não ter vegonha de como me olha, pois um dia (e eu sei), não entregará teus traços, não cruzarás teus olhares, e não sorrirá para outra pessoa, se não para mim…

 Ah. Que sorriso.

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Graça! Obrigado pelo livro… prometo que vou devorá-lo! Te devo dois presentes!

Indo embora.

 Não sei o que escrever. Existe um conflito enorme dentro de mim, pois quando escrevo algo, as pessoas dissecam as minhas palavras!
 Será que já não chega eu ter que retrair uma porção de coisas que queria fazer pra não ofender ninguém, agora tenho que tomar cuidado com o que escrevo?
 Não. Isso é covardia demais. Pois minh´alma precisa escrever. Precisa sempre de mais coisas a dizer. Mas você me bloqueia… Me censura! Porque? O que te fiz?
 Preciso ir pra longe… Tenho que sair daqui o mais de pressa possível. Ir pra um lugar onde as pessoas que me amam, realmente demonstrem isso… Não quero mais ficar parado… Estou indo embora! Conhecer novas pessoas, novos lugares! Quero um copo d´agua e papel… Não. Não precisa de caneta. Enquanto eu tiver meu sangue, ainda terei com o que escrever. E sangue exposto é o que não me falta com os ferimentos que abandonou em mim… A cada dia eu tenho que engolir cada um deles, e eles ficam lá dentro, presos… Não saem mais em forma de água como acontecia antes. Agora eles ficam secos e em silêncio. Não ardem. Não incomodam mais na hora de dormir; independente da posição que escolho ao deitar. Pois deito sozinho, e não há mais nada para me preocupar… Fora meus textos, minhas palavras que saem tão rápido antes que eu possa processar… Palavras que voam para longe.
 Mantenha distância. Pois agora eu sou perigoso demais para você. Vá embora!! Será que eu não avisei você? Falta de aviso não foi… E por mais que eu queira você por perto, ainda não estou pronto para me deitar com um conhecido… Deito-me apenas com aqueles que eu possa expulsar de minha casa mais tarde… Com você eu não posso fazer isso… Você não me dá a liberdade de uma depressão pós coito. Vá pra longe. É o melhor que faz por você… Se você não for, eu me vou… E quando estivermos longe um do outro novamente, poderei escrever, dizer, me acalmar e ser feliz ao deitar-me com alguém… Alguém que está por aí… Perdido como eu.
 Está vendo? Eu já nem sei mais o que escrevo.

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Gracinha! Valeu pelo apoio e as palavras de incentivo. Você é realmente uma graça rsrs
Glau! Nunca irei me esquecer desta sexta! O dog ainda fala comigo… O “Dog negro”. rsrs Devia ter mastigado mais!! rsrsrsrs

Palavras para todos.

 Ah. Cansei destes por menores. Cansei. Meus dedos estão remoídos demais. Doem e incomodam muito. Quando secos, passam feito lixa pelo cobertor. É ruim até de dormir. Não vou mais comê-los. Não vou.

 Quero que veja o quanto minha aparência vai melhorar sem você por perto. Sem você para não me dizer… Qual é? Está pensando neste momento “Esse texto é pra mim?”. Não seria muita pretensão de sua parte? Mas horas, ma Cher, se você identificou-se com isso, é claro que é pra você então! Pra você e pra qualquer outra pessoa que ler e sentir a mesma coisa. Só não pode ser pretensiosa ao ponto de achar que és a única que me inspira em textos, linhas e palavras… cada vogal e consoante que se junta. A cada advérbio de causa ou lugar… A cada sujeito, adjetivo… A cada frase subordinada. A cada linha de merda que te escrevo.

 Desligue o telefone. Não dê a mínima para meu choro. Quer saber? Que se dane. Você merece meu desprezo.

 Quê? Meu texto é ridículo? Acha ridícula essa atitude de escrever o que estamos sentindo?

 Não minha querida. Ao menos se pudesse meu ouvir, me sentir… Saberia tudo isso da minha boca… Mas não. Então não julgue o que escrevo! Na verdade você é quem tem inveja por não saber escrever como eu! Não pode desabafar sozinha. Sempre tem que desprezar alguém que te quer bem… Jesus! Quanta preocupação jogada fora! Quando desdenho!

 Não me importo mais, e se o texto lhe coube, tiro seus cabelos de minha boca e te devolvo com prazer. Não quero mais sua pele de ébano perto de mim. Saia, saia, saia… Ninguém liga pra nada. Não há carinho… Só raiva… Só orgulho… Seu animal! Quadrúpede insensato…

Ah se você soubesse o quanto te quero bem…

Se ao menos soubesse de um medo que guardo aqui no meu peito… hahahaha … Não. Aí que me chamaria de dramático… Mas o drama será teu.

 

Regardez pour tu amour, Cher.

Uma palha sem revisão… Mas degustável.

Cezar abriu os olhos, correu a vista pelos cantos do quarto iluminado pela pouca luz do Sol que passava pelas frestas da janela, e desistiu de levantar da cama. Era seu primeiro dia como desempregado depois de dois anos dedicando-se para a mesma empresa. De certo que não era muito tempo, mas somente ele sabia as dificuldades que passava e o quão bom iria ser ficar em casa durante algum tempo se aproveitando do seguro desemprego.

 Duas horas após ter aberto os olhos pela primeira vez naquela manhã, esfregou as mãos no rosto e num impulso, saltou da cama.

 Andou bambeando até a cozinha e constatou, no velho relógio na parede, que já eram 12hr. Foi até o banheiro e escovou os dentes vagarosamente, aproveitando o gosto da pasta de dente. Até a pasta parecia ser diferente dentro deste mundo de desempregado. Ele degustava qualquer coisa. Tudo lhe tinha um sabor, até mesmo as palavras do ancora do noticiário que passava no horário do almoço. Ele gostou de almoçar em casa. Poderia comer como os franceses faziam. Ficava mastigando durante muito tempo apreciando a cada dentada na carne mal passada que tinha feito na frigideira que estava com o mesmo óleo desde o sábado. Mastigou, mastigou e mastigou… nada de pressa… nada de apenas “uma hora para comer”…. Agora Cezar era dono de seus próprios horários e queria aproveitar ao máximo enquanto pudesse ficar assim… Aquela segunda-feira seria o primeiro dia de muitos que estavam por vir.

 

 Depois do almoço ele resolveu deitar mais um pouco, mas não conseguiu dormir, estava muito desperto. Resolveu ligar para seu amigo, Davi, que também estava desempregado, mas diferente dele, já fazia muito tempo.

 Davi era uma boa pessoa, e vivia fazendo “bicos” para poder se sustentar, e algo que Cezar sempre admirou, pois mesmo sempre ganhando mais que o amigo, Cesar nunca conseguiu curtir tanto quanto ele. Também pudera. Fazia pouco tempo que seu noivado havia sido rompido, pois ele nunca tivera sido um bom companheiro, e fez com que Ana Lúcia o deixasse do dia para a noite, foi aí que ele começou a fazer um esforço para ser mandado embora. Sua vontade mesmo era ir para a Europa e tentar tocar a vida por lá, mas seu inglês não era bom, apesar da excelência de seu francês. Fora isso, o dinheiro estava curto. Resolveu curtir e fingir que estava bem por aqui mesmo, dentro de seu país e sua cidade.

 Pegou o telefone e discou preguiçosamente o número do amigo. Ninguém atendeu.

 Pensou na hipótese de que ele pudesse estar fazendo algum serviço por aí, e assim achou melhor retornar a ligação apenas depois das cinco horas da tarde. Mas o que faria até lá? Vídeos? Alguns vídeos pornôs pra começar?

 Não. Sempre que pensava em pornografia, vinha-lhe a imagem de Ana Lucia em sua cabeça. Ana Lucia na cama com outra pessoa. E isso fazia ele se sentir mal, pois se ela que o amava tanto, já poderia estar transando com outra pessoa, era injusto que ele ficasse fadado ao destino da masturbação e dos filmes eróticos. Não. Ele não faria isso. Respirou fundo e caçou sua boina pela bagunça da sala. Assim que achou, colocou-a em sua cabeça para esconder o cabelo bagunçado e saiu para a rua.

  Caminhou como há muito tempo não fazia em uma segunda-feira. Imaginava todas as pessoas trabalhando e ele aproveitando. Os bares abertos, crianças indo para a escola, algumas voltando, os desocupados que ficavam na praça e tudo o mais que podia se ver na rua de um bairro periférico em uma segunda no inicio da tarde. Ele estava começando a ficar eufórico.

 Parou em um boteco de esquina que ficava próximo à sua casa, e pediu uma cerveja, o balconista colocou uma garrafa e um copo.

– Não, disse Cesar, é de latinha, e não precisa de copo porque não vou ficar aqui.

  Com um suspiro de protesto, o balconista removeu a garrafa. Andou até outra geladeira e pegou uma lata.

– Pode dar “uma lavada” nela pra mim?

  O balconista começava a tratar aquilo como um desafio de sua paciência.

  Cesar pagou e saiu.

  Não havia muitos lugares para ir naquele horário e tão pouco sozinho, então voltou andando para casa, desfrutando de sua cerveja. Quando estava prestes a entrar pelo portão, Dona Margarida, vizinha muito enxuta para os seus cinqüenta anos, berrou seu nome do outro lado da rua. Cesar parou, olhou com toda paciência do mundo e atravessou a rua com mais paciência ainda.

– Olá Dona Margarida, disse ele.

– Oi, Cesar. Não foi trabalhar hoje?

  Por um momento ele torceu os olhos para o lado; “que pergunta mais cretina!”, mas não retornou a ela com grosseria, mas também não deu muitas explicações, pois não queria que se espalhasse a noticia de que ele estava desempregado.

– Sim, sim. Hoje tirei o dia de folga.

– Que bom, lançou ela, é bom descansar…

  Depois do comentário, ambos ficaram se olhando e sorrindo um para o outro, sem assunto, sem graça, sem nada… Pela falta de assunto e se sentindo mal pela presença de Margarida, ele se via como se tivesse sido atirado na parede! Precisava reagir… Já que ficaria um bom tempo em casa, precisava se tornar um bom visinho.

– E como anda o Sebastião? Seu marido.

  Margarida enrijeceu a face e depois tornou a sorrir, mas era um sorriso sem graça, meio inconformado.

– Ele morreu, fez um ano em setembro. Câncer.

Era o fim. Agora ele se sentia escorrendo pela parede indo em direção ao ralo mais próximo, na verdade era isso o que ele gostaria que acontecesse, pois queria sair dali o mais depressa possível, mas não podia. Estava preso e o tempo agora estava paralisado. Cada segundo era uma hora… Uma hora que se passava e ele não sabia como agir ali, diante dela e sua pergunta inconveniente. Como seu emprego havia o afastado tanto da sociedade ao ponto de nem saber mais que morria e quem nascia na própria rua aonde morava?

– Mas não se preocupe, disse Margarida, agora ele está melhor que a gente.

  Ele respirou aliviado pela iniciativa vinda da mulher. Tinha que corrigir, mas preferiu se despedir e voltar para casa antes que perguntasse de mais alguma coisa que o faria fica na mesma situação.

 Quando chegou ao portão, o telefone tocava. Entrou correndo com a lata de cerveja aberta e espumando, agarrou o aparelho de telefone para atender.

– Alô?

– Alô.

– Davi?

– Sim, disse a voz sonolenta. Tem seu número aqui na bina. Ligou para mim?

– Liguei sim, estava querendo saber se tem algum programa pra hoje à noite.

– Acho que Vanessa virá aqui em casa hoje… Sabe como é! Algumas amigas e umas garrafas de vinho tinto.

  Neste momento, Cesar sentiu que sua primeira noite de desempregado poderia ser um sucesso, precisava apenas do consentimento de Davi.

– E quantas meninas serão? perguntou Cesar

– Acho que cinco amiguinhas. Por quê? Não me vá dizer que está interessado em vir?

– Obviamente, se você deixar eu ir, ao anoitecer estarei por aí.

– Então venha amigo. Vamos farrear com estas menininhas.

 

  Ao desligar o telefone, Cesar já estava eufórico. Podia se imaginar em uma noite de pura farra, ousadia e fantasias, como nunca teve com Ana Lucia…  Sem dúvida era isso o que ele queria. Uma vingança contra sua amada que o deixou, com motivos, claro, mas deixou para trás um coração que ficou perturbado. Mas hoje seria sua vingança silenciosa, uma vingança contra algo que ele nem mesmo tinha certeza de que Ana Lucia teria feito. Teria ela saído com outro homem? Estaria ela ainda triste pelo fim dos planos? Nada disso mais importava, apenas o sentimento de que naquela noite ele se sentiria homem novamente.

 Ainda era cedo para que ele fosse se arrumar, então resolveu dar um jeito em sua casa… Arrumar algumas coisas e deixar o lar limpo. Começou pelo seu quarto. As roupas sujas estavam espalhadas pelo chão, até mesmo pedaços de comida havia ali.

 Desde que foi morar sozinho, não conseguia se organizar direito, e era sempre Ana Lucia quem o salvava indo até lá todos os sábados para ajudá-lo a limpar a casa, e assim era possível mantê-la limpa durante alguns dias, mas agora que estava sozinho, tudo parecia desordenadamente desconfortável. A bagunça tomava conta de sua casa e de sua alma, mas o dia estava diferente. Ele queria provar para ele mesmo que era capaz de colocar ordem em sua casa sem a ajuda de qualquer outra mulher. “Se os homens são melhores na cozinha, porque não na limpeza”, pensava ele. Sou melhor que Ana Lucia.

  Meia hora depois ele estava sentando ao canto do quarto que parecia estar ainda mais bagunçado. Ele estava cansado de tentar arrumar, conseguir um canto para organizar as coisas. Já estava sem camiseta, e o suor descia por entre suas nádegas. Ele acabara de descobrir que trabalhos domésticos não eram fáceis.

 Começou a pensar em até que ponto Ana Lucia o amava para toda semana estar lá, limpando não somente seu quarto, mas sim, a casa toda, e ele havia perdido tudo isso por ser infantil. Agora ela estaria com outro e se dedicando para este “outro”, da mesma forma que fazia com Cesar, mas esta nova pessoa lhe dava o devido valor… e estes pensamentos ecoavam na cabeça de Cesar. Ainda sentado ele caiu no sono.

 

  Acordou correndo por instinto, indo diretamente ao relógio. Mal sabia pra onde deveria ir, mas sabia que estava atrasado. Passava de onze horas e haviam conco ligações perdidas de Davi.

  Pegou o telefone e ligou de volta. Apenas chamou. Ninguém atendeu o telefone. Mas Cesar não se preocupou tanto, pois o próprio Davi disse que ficariam por lá bebendo vinho… na certa deve ter desligado o aparelho para não ser incomodado.

  Correu para o banheiro e tomou um bom banho, apesar de rápido, vestiu uma boa roupa e disparou para fora de casa.

  Seu Jorge fazia sua ronda noturna quando Cesar disparou correndo pela casa. Jorge era velho e quase cego, mas ainda assim ficava a noite inteira em cima da moto vigiando as ruas do bairro. Ao ver Cesar disparando pelo portão e correndo, o velho vigia se atentou. Foi como se sua alma ouriçasse e finalmente em anos em cima daquela moto antiga, fosse ter um pouco de diversão. Acelerou a motocicleta e correu para cima de Cezar, que teve que pular com tamanha velocidade para não sofrer um atropelamento. No momento em que seu Jorge ia parar a moto para acuar o suposto ladrão, perdeu o equilíbrio da moto e caiu.

  A moto arrastou-se com Jorge debaixo por uns seis metros. Cezar se empalideceu, pois não sabia se o pobre velho agüentaria o impacto. Ele correu até a moto e a levantou. Lá estava o velho, imóvel, caído e ralado. Por um momento Cezar prendeu a respiração, mas soltou quando viu o senhor virar a cabeça em sua direção.

– Cesar, disse Jorge, é você seu moleque de uma figa. Eu jurava que era um ladrão em sua casa.

– Não seu Jorge, você se equivocou, e acho que precisa de um hospital.

  Jorge mal se mexia. Cesar xingava-se, pois por causa de um velho irresponsável, seria obrigado a perder a curtição dessa noite por uma noitada em qualquer hospital publico e sujo, pois um velho daqueles nunca na vida deve ter tido um plano de saúde.

  – Fique aqui, seu Jorge… Ao dizer isso, ele quase riu vendo a figura do senhor esparramada no chão… “Fique aqui”. Onde mais ele poderia ir daquele jeito? Para casa que não era… Cezar preferiu não terminar a frase para não se desmanchar em risos. Foi para o telefone público que ficava na esquina e ligou para o resgate. Quando terminou de pedir o socorro e desligou o aparelho, a raiva por ter perdido a noite voltou, foi caminhando novamente até seu Jorge, lá, estatelado no asfalto frio. Conforme Cesar se aproximava, uma idéia horrenda ia brotando em sua mente, ele diminuiu os passos até parar. Olhou para todos os lados. Ninguém na rua, fora ele e seu Jorge que estava largado ao chão. Sorte de morar em uma zona periférica tranqüila. Cezar olhou mais uma vez para todos os lados da rua para ter certeza que estava sozinho. Deu um passo pra trás. Olhou o velho. Pegou rumo ao contrário. Foi para a casa de Davi.

  De certo que o resgate iria chegar, fora que, o que mais ele poderia fazer por Jorge? Ele estava tão quietinho ali, não iria se mexer mesmo que pudesse. Logo o resgate chegaria e levaria o velho para o hospital. Em uma semana ele estaria fazendo suas rondas novamente.

  Ao chegar em frente a casa de Davi, ele pôde ver as luzes da sala acesa. Tocou o interfone.

– Pronto

– Cheguei. É o Cezar.

– Entre.

 O ruindo do portão automático ecoou na noite. Cezar abriu o portão. Estava feliz, contente. Eufórico.

 Andava pelo quintal da casa em direção à porta quase que saltando. Sentia uma felicidade. Abriu a porta e já viu o grupo de cinco mulheres rindo, algumas taças vazias e sujas de vinho… A libido já estava no ar… ele sentia isso naquele cômodo. Davi deu as boas vindas, as meninas sorriram… quatro das cinco meninas sorriram, uma estava surpresa, tanto quanto Cezar, que tinha seu sorriso bobo sumindo em seu rosto.