Domingo.

Enlaço minha alma à sua com preocupação
Procuro sentido onde não deve existir
Distráio-me olhando sua alma
Tento decifrar o que você não sabe dizer

Vejo o modo como me olha
Não sei dizer o que há em você
Não sei nada sobre você
Às vezes até penso que não a conheço

Aonde está você? O que você faz?
Como faz?
É um querer não querendo que me deixa louco
É uma vida desperdiçada em encantamentos

Não abra a porta
Não feche as janelas
Não diga hoje que me ama
Diga sempre o que quiser

*

Ninguém nos assaltou, mas ainda assim tenho a sensação de que alguma coisa está faltando por aqui… Acho que me roubaram.

Uma doce câncer.

Hoje doeu e assustou
Ainda vivo, aqui estou
Quantas baladas, quantas mentiras
Jaz meu sangue, repleto de ironias

Acho que quanto mais estudo, mais intuitivo as coisa se tornam…. No entanto…. Pra que estudar?

Um circunflexo no lugar exato? Uma vírgula bem posicionada? A merda da crase que não nos deixa em paz? Um ponto e virgula escondendo um verbo?

Verbo.

Pra mim são palavras mutáveis. Palavras que se alteram.
Existem pessoas que são verbos… Uma hora estão no passado, outra, no presente… às vezes no futuro… Outras, num futuro imperfeito.

 Não sei como depois de tanto tempo, tanto tempo errando, eu acredito num “futuro perfeito”…

Rasgue minhas mangas. O resto eu faço.

01:01 am

 Me irrito fácilmente com um bocado de coisas! Me irrito a todo instante… Algumas coisas me fazem explodir de ansiedade, ter vontades que não deveria ter… Outras coisas me deixam tão triste que tenho vontade de sumir.

 Então vou me iludindo, finjo que as coisas são como eu quero e sigo minha vida em frente. Aproveito a torrente de sentimentos que me invade, as vontades que afogo num copo de Vodka e que desconto nos outros… Descontar por descontar… Mas é isso que faço.

 Mantenha seu olhar enevoado, em dúvida… Em dívida… Eu sei… A dívida é minha… E eu pago a prestações.

E quando tudo acabar…

Quando tudo acabar, sentirei falta dos teus beijos
Sentirei falta de suas idéias doentias e febris
Farei poesias sem métrica
Usarei “intertextualidade” de sua personalidade em uma nova pessoa

Quando tudo acabar, não será ainda o fim
Sentirei o gosto de seus pensamentos em minha boca
Encostarei em uma árvore para lembrar de você
Levarei você comigo como o espinho está com a flor

Quando tudo acabar, levará o gosto de meu cigarro contigo
Levará minhas idéias fúteis e se lembrará que deve pensar
Pensar para não se tornar, entornar o que despejo por aí
Vai se lembrar que eu ainda estou aqui

Vai ver que tudo é diferente, um copo, algumas latas… Uma porção de batatas
Vai se lembrar do jeito que for
Vai embora sem nenhuma tristeza
Vai saber que a distância leva ao amor

Podemos…

Eu ainda acho que podemos começar tudo de novo. Veja bem. Primeiro começamos por um bar… Daremos as mãos depois de nos encontrarmos depois do trabalho, vamos juntos e escolhemosum boteco. Nada muito chique, mas precisa ser aconchegante e de público agradável. Temos que passar a ir quase toda semana, até que finalmente os garçons passem a nos conhecer… Temos também que pedir sempre a mesma bebida, cerveja talvez, desde que seja sempre a mesma bebida e uma porção de alguma coisa. Afinal, se queremos ser um bom casal, devemos deixar claro nossos gostos, até que eles nos sirvam sem nem mesmo ter que pedir.
 Quem sabe um dia a gente varia – Dê-me uma caipirinha!, o garçon sorri e arregala os olhos – Boa pedida, senhorita.
 Vai haver aquele casal que fará a mesma coisa que nós, e por sorte, escolheram o mesmo dia (as quintas-feiras são ótimas pra isso), e de uma hora para a outra passamos a conhecê-los. Uma aceno, na outra semana um “Oi”, e depois estaremos sentando a mesma mesa… Essa será nossa trilha por nosso boteco… O nosso bar favorito.

 Depois te levo pra casa, como antes… Não… Nada como antes… Dessa vez levaria você para sua casa de uma nova maneira, uma caminho diferente… claro, você vai notar o caminho mais longo, irá reclamar da caminhada e dos “malditos” saltos que colocou para ir trabalhar, mas vai gostar de nosso novo caminho… Um caminho diferente…
 No outro dia te ligo de manhã, talvez seis horas, e você ainda estará colocando os Band-aid nós pés machucados, reclamando do couro do sapato, “Hoje vou de All-Star”, você diz…

– Tudo bem, meu amor. Hoje é sexta. Hoje pode tudo. Mais tarde te pego pra sair. Te amo.

Você sorri. Tudo fica bem. E nossa história será assim. Deus queira… Eu torço.

Sai.

Será que não vê o que faz? / Será que mais uma vez finge, encanta, pra depois virar as costas em uma situação de perigo? / Serás que novamente irá fazer tudo de novo? / Que é que sou eu para lhe julgar? / Ninguém, pois também não sei qual será meu destino, meu futuro / Ao tentar novamente andar pelas estradas do passado / Venho cantando e sorrindo esperando novamente por um prato de comida / Venho sorrindo e rezando / Realizando preces / Dizendo a Deus, meu Deus bom Pai / Que por tudo que seja fútil e pequeno, não permitas que encontre-a novamente em meu caminho.

01:02 am – segunda-feira.

Precisamos recuperar aquilo que nos faz bem
Trazer pra perto o que nos deixava melhor
Trazer pra dentro o que se foi sem querer ir
E que agora nos deixa um vazio enorme no peito

Temos que deixar o medo de lado
Empunhar a espada e ir a luta, mesmo que se corte
Temos que ter tenacidade e prazer em lutar
Recuperar o que se foi.  Descobrir que antes éramos felizes

“Aguarde…. Processando a informação.”