Eu gosto.

Eu gosto de barulho, gosto de agitação e festas, isso faz com que eu deixe de pensar por um momento.

Gosto de dormir com chuva ou com o televisor ligado. Gosto de bagunça, de barulho de crianças espalhadas pelo quintal. Gosto de como as pessoas se comportam nas sextas-feiras.

Gosto de torcidas de futebol, gosto da Rua Agusta e gosto das tardes de primavera, tudo isso faz eu me perder. Gosto de ficar bêbado, gosto que os outros bebam comigo, gosto que riam de mim, que falem de mim e que liguem antes de aparecer.

Não gosto de surpresas, mas gosto de um encontro desejável na plataforma do metrô, isso faz eu me lembrar de que não estou sozinho.

Gosto de como a fumaça do cigarro dança antes de se espalhar pelo ar. Gosto do bom humor da minha vó pela manhã, apesar de me irritar com isso, não nego, mas amo o jeito de ela sorrir e fazer piadas das quais eu não consigo rir por ser uma pessoa extremamente amarga pela manhã.

Gosto de ovos mexidos, pastéis de carne e comida toda misturada.

Adoro casa bagunçada no domingo e brilhando na segunda. Gosto das garrafas bem organizadas e cheias… Gosto delas vazias também.

Gosto de dormir.

Gosto de acordar.

… Eu gosto de cada coisa…

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Não há verdade nessa porra, OK!?

Esse papo de religião me irrita! Irrita muito! E faz uns meses que queria falar disso aqui!

Não curto “religiosismo” demais; seja cristão, pagão, panteísta ou qualquer coisa!

Não gosto!

Mas uma galera que vem se provando igual, são os ateus.

Tem muita gente agnóstica se comportando como ateu só pra poder falar grosso e dar uma de rebelde. Ser ateu, nos dias de hoje, virou sinônimo de status. Se religiosos são cegamente “chatos” (sem generalizar) os ateus são engajados a serem pentelhos.

Aqueles que não acreditam em Deus, ou qualquer força superior (ou acham que não acreditam, pois no fundo fazem lá suas mandingas) dizem sempre que aqueles que são crentes, são cegos, aí vem a avalanche de ofensas. Eu não vou dar um tapa na cara de um cego, mas tem gente que faz…

Porque discutir algo do qual se acredita não existir? Pra que perder tempo?

Nunca vi ninguém (mentira, vi sim, mas é raro) discutindo a existência das fadas!

E caso uma pessoa que não acredita em fadas, vê um cara pregando a favor delas, o máximo que ele vai fazer é pensar que o cara é louco e rir, mas não vai parar pra discutir, ou fazer um site, um perfil no Facebook, pregando a não existência desses seres fofos e feéricos. Não, ele não vai! Mas os ateus fazem isso!

Não devo negar. Minha vida foi bem cíclica quanto à isso. Fui cristão pra cacete, me tornei pagão, depois ateu e hoje estou mais pra agnóstico! Não me surpreenderia se virasse cristão novamente.

Mas acho discutir essas coisas uma pequenice tão imbecil!

Eu não entro numa roda pra discutir qual vinho é melhor, posso conversar sobre isso, mas não brigar. Prefiro desfrutar de minha escolha.

Seria estranho se eu chegasse num amigo meu e falasse: “Olha cara, minha mina é mais gata que a sua, e mais gostosa também… Para de comer sua mina, sai dessa. Come a minha!”.

Esse exemplo é só pra dizer que tem coisas que não se discute (puta exemplo escroto!)!

Ateus, por obséquio, se vocês são tão superiores, parem de gritar aos quatro ventos, parem de falar quanto os religiosos são babacas e cegos. Concordo em partes com vocês, mas concordo completamente quando eles dizem que vocês não respeitam nenhum pouco as pessoas que seguem algo maior (sem generalizar. Conheço ateus maravilhosos)!

A única verdade absoluta é que todo mundo nasce, cresce, trepa e morre… E olhe lá, porque muita gente não trepa!

Todos vocês são chatos, ok?

– Ósculos e Amplexos!

Gracinha

Eu não ia fazer isso porque está tarde e eu tenho que dormir. Mas parei pra pensar: “Será que ela não merece?”. O pensamento não demorou muito e cá estou eu escrevendo um parabéns pra Gracinha!

Acendo meu cigarro e penso, o que escrever pra ela? Já escrevi tantas coisas… O que poderia ser diferente dessa vez?

Nada vem à cabeça.

Dou mais um trago.

Pergunto se a Luana gostaria de dizer algo. A Luana acena que não com a cabeça meio mórbida, meio lenta! Willie diz que está de partida, que talvez de uma passada pelos sonhos dela. A Princesa Elda me fala que tem um reino pra cuidar e que os aniversários de seus súditos são meros detalhes… “OK” penso eu inconformado!

Mas no canto da sala, lá está ele!

Não quero que ele se manifeste, mas ele fica me encarando com um olhar malicioso. Depois vejo outro se juntando a ele.

Edgard acena positivamente para Cézar que anda até a mim.

– Deixa eu falar?

– Não – respondo de pronto.

– Mas você não sabe o que falar, Sérgio!

– …

– Deixa?

Eu não respondo, mas deixo com que ele se sente e domine o teclado e, então, ele começa a escrever:

– Oi, Graça. Aqui é o Cézar! Cézar de Campos Pazzini! O Edgar te mandou um abraço, mas creio que você não gostaria do abraço dele.

Queria te dizer que não te conheço bem, nem sei quem você é, mas acho que você fez uma boa coisa para meu criador, então te devo muito do que sou, apesar de não partilhar de sua boa índole!

Eu gostaria muito de conhecê-la. De poder dar-lhe um abraço e dizer o quanto é especial pra mim, mas não posso! Vivo num mundo em que é impossível que nos encontremos. Pode ser que daqui uns anos possamos nos abraçar, mas não hoje, não agora, espero sinceramente que demore, mas minhas histórias estarão aí te vangloriando e, em cada entrelinha, dizendo como você é importante.

Eu te faria um poema ou uma poesia! Eu faria algo letrado, um verso de sua vida, um parecer de seus amores, mas não! Só quero lhe dar os parabéns. Só queria te dizer as coisas que meu deus não tem palavras pra dizer, dizer apenas que te amo mesmo sem te conhecer.

Um aniversário é uma barreira derrubada, cada ano, ano por ano, dia por dia… É difícil todo dia ser uma pessoa boa, não é? Mas você vem fazendo isso com maestria, e espero que assim continue.

Faça seu show, faça seu espetáculo. Seja você!

Parabéns Gracinha!”

Cézar de Campos Pazzini

Providências…

Acordei ainda tonto. O dia estava nublado e abafado e, eu,  sem ter a mínima noção de como ou por onde começar a manhã.

Passei a mão pela cabeça espantando para o mais longe possível os meus sonhos depravados e a saudade que às vezes sinto daquilo que me faz tão mal.

Um pé de cada vez.

Escorri até o banheiro. Mijo primeiro ou molho o cabelo ensebado para penteá-lo?

Resolvi gotejar pela latrina e sentir o alívio da bexiga esvaziando. Suspirei. Agora o dia já havia começado. Abri a torneira do chuveiro e mandei embora a sujeira. Esfreguei o peito oleoso do suor noturno. Cheiro de mofo. Lavei tudo na mais humilde esperança de que pudesse lavar também minha alma; não funcionou.

Um bom salário gasto mês após mês com bebidas e livros. Dívidas se acumulando. O telefone que cortaram. O osso que ainda dói sem ter motivo aparente. O peito que já acostumou com as pontadas daquela antiga cirurgia… E nada de economias… Nada de um futuro seguro… Nada de responsabilidade. Ficaram somente as latas de cerveja vazias pelo chão e a promessa de uma nova ressaca.

 Enxuguei-me, enrolei a toalha no corpo e me lancei para a saída do banheiro… Não devia ter feito isso.

  Dedo…

  Batente…

  Sangue…

É sempre o mindinho do pé! Por quê?

Xinguei na mesma hora: “Caralho”. Manchei a casa toda de sangue. O vermelho com o cinza nublado do céu… Nem pra combinar… Ninguém pra me socorrer. Eu morria de dor e a culpa era do batente no mindinho. “Diga a meus amigos que os amo”, “Diga que sentirei saudades…”. Ok. Sem exageros.

Saí mancando e encapei o dedinho com esparadrapo. Vesti a meia e coloquei o tênis. Saí mancando para um dia que já começara mal… Já havia começado, afinal?

Uma puta-duma-vontade de ficar em casa; mas o dedo já havia batido no batente e eu estava fora de casa, nada mais poderia ser feito. Eu mancava pensando em quantos leões mataria dessa vez. Talvez pudesse usar minhas unhas enormes para isso. Eu os arranharia. Garras contra unhas. Furaria seus olhos. Usaria as unhas como navalhas e deceparia os animais como faca quente na manteiga… O dia já havia começado!

Tentaram pisar no meu pé. Mas como um ninja desviei, quase xinguei. Controlei-me. Na estação da Sé ninguém é de ninguém! No trabalho também não. Quando se passa o cartão de ponto, já tem que desviar das palavras que emergem da boca do chefe em forma de mil perguntas. “Vou providenciar” – Disse eu com os olhos serrados e voz entediada. “Vou providenciar”.

Sentei-me em minha cadeira, tiro o tênis do pé. Dói!

– O que fez aí:

– Bati o dedo no batente da porta logo cedo.

– Hummm. No mínimo você estava bem-louco.

Respirei fundo. Fui buscar um copo d’água, mas optei pelo café aguado do escritório.

Pensei em como me julgavam um bêbado, mas no dia em que eu beber cerveja as seis horas da manhã de uma terça-feira, eu mesmo me internarei! Conheço pessoas que tomam Vodka com Coca-Cola no café da manhã, mas não eu. Eu não. Não cheguei lá ainda, e nem seria nenhuma honra chegar.

   Sentei na cadeira novamente e mais uma vez tirei o tênis. “E agora quando meu pé começar a suar? Vai arder”… Preciso fazer alguma coisa. Algo para que meu dedo ferido não infeccione; não gangrene, não apodreça e não caia… Preciso fazer alguma coisa por ele antes que perca um membro… Preciso fazer algo… Vou providenciar… Vou providenciar.

– Sérgio Charro

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Texto publicado por mim em 2009, mas como acho um texto bacana, resolvi dar uma simples editada e postar novamente! Recordar é viver!

Ósculos e Amplexos!