Laísa – Parte 1.

Abriu seus olhos e não enxergava nada. O cômodo estava escuro e o arrependimento veio à tona.

Ela tinha somente 17 anos de idade quando conheceu o que era amor.
Mas o tempo passa!

Passou rápido demais!

Laísa passou a mão pela testa e sentiu o suor naquela noite de verão. Sentiu também um corpo estranho ao seu lado.
Era um corpo que não estava acostumada.
Passou a mão por entre as pernas para se certificar que nada havia acontecido naquela noite.
Nada de secreções humanas ou de lubrificantes que deixariam odores desagradáveis em seus curtos pelos delicados que deleitavam do local aonde muitos homens já haviam tentado se esbaldar, sem sucesso.

Laísa tinha família. Tinha um namorado, mas estava de saco cheio!

O corpo ao lado roncou e revirou-se tentando abraçá-la numa tentativa inútil.

Ela sabia!

Era o homem, bem mais velho, que ela havia conhecido naquele maldito curso de verão que a empresa a ofereceu.

Os lençóis estavam bagunçados enquanto ela, em meio ao escuro, tentava sair para ir ao banheiro. Ela precisava de água. A ressaca de vodca não fazia bem a ninguém.

Furtivamente pulou pelo lado da cama, com medo de acordar o homem, mas um frio pela espinha lhe acometeu. “Por quê não?”, pensou!

Antes que pudesse ver, sua mão escorregou pelo peito do corpo ainda não explorado daquele que ainda dormia.

“Estou em Vegas”, pensou ela. Fechou seus olhos tentando ignorar o namorado, a família e os amigos. O homem não acordava.

Recolheu sua mão como quem cometia um pecado mortal.

Sua garganta estava seca, mas não era de água. Ela queria a saliva lancinante daquele que dormia ao seu lado.

Pousou as mãos em seu rosto e tentou recobrar a consciência.

Obteve sucesso.

No dia seguinte, nem Cícero e nem ela disseram nada um ao outro, mas eles sabiam que algo havia acontecido na noite anterior. Eles sabiam que algo havia acontecido e que algo mais, entre eles, devia acontecer.

Para Laísa foi o fim da paz. E o início da vida. 

Para alguém que amo.

Eu queria ser como você.
Em paz, sem responsabilidades de verdade. Ter esse orgulho pontiagudo que fere sem dizer uma palavra.
Eu queria ser seco como você!
Me importar pouco com o bem estar das pessoas que te amam. Nunca precisar pedir desculpas, afinal, desculpas são tão desnecessárias!

Eu queria que você me respeitasse. Que visse meu papel e enxergasse as coisas que faço por ti!

Eu queria muito ser como você! Dar atenção demasiada pra detalhes ridículos e vilipendiar aquilo que é importante, afinal, tudo o que é importante sempre vai estar contigo, não é? Então foda-se!

Eu também queria agredir sem ter peso na consciência; ou ao menos fingir que nada aconteceu mesmo que o caso me corroa por acaso!

Eu queria tanta coisa!

Eu queria ser o mais novo.

Ou ser o mais velho como nos filmes! Aquele que é respeitado!

Eu queria ter aproveitado mais!

Eu queria uma carreira.

E também queria que seu pai fosse o meu.