Psicodélico.

O ventilador roda porque dá calor, é obvia esta constatação assim como podemos crer, com toda certeza, que existem meia dúzia de laranjas prontas a serem arremessadas por marinheiros de sunga num jogo de Baseball. Mas ninguém é gênio nesse mundo, claro que não. Isso até Ari Toleto disse no Novo Testamento.

De qualquer forma, calor ou não, A bomba atômica que o E.U.A. jogou lá no Sesc Itaquera fez a alegria da moçada! Teve até tourada! E todo mundo clamava por Raul Seixas, até que finalmente Renato Russo subiu ao palco para o delírio geral da multidão, e assim começou o show do Nine Inch Nails! O melhor que já vi. As mulatas sambavam ao som da musica clássica! Que Show.

Daí então um vortex de luz foi arremessado por Albert Einstein que gritou “Jesus, dá restart logo que aqui tá muito louco!”

E no quarto todo mundo gritava, a galera pulou pra dentro do quadro e escorreu pela parede com pedidos de “de novo!”. Aí manchou a parede, todos levaram bronca do cão de guarda, um são Bernardo marombado que praticava jodô. Ninguém ousou falar uma palavra.

Mas tudo bem…

Festa de debutante é assim mesmo!

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Luto.

Hoje uma notícia triste pairou por aqui.

Há três dias um bom amigo se foi, e ninguém nem me falou nada. Raiva à parte, preciso dedicar uma homenagem.

Desde que eu era pivete, o Clodoaldo já era uma das pessoas mais queridas por mim.

Foi com ele que fumei o primeiro cigarro, experimentei a primeira coisa ilícita. Bebíamos cerveja juntos e até jogamos RPG. E que jogador sedento ele era.

Cacete. A ficha ainda não caiu de verdade.

Ele era uma pessoa extremamente amável, apesar de ser louco de pedra. É por causa dele que gosto de rock, ele quem me apresentou o bom e velho rock´n Roll. Aqui em minha casa tem dois vinis do Guns que pertenciam a ele, agora não sei se devolvo, se guardo como uma lembrança… Nem um retrato dele eu tenho.

A galera que não o conhecia, tinha medo dele por ele ser tão maluco, mas pessoas tão boas como ele está super raro de se encontrar por aí, e agora mais ainda.

Com ele, foi uma parte da minha infância, uma lembrança a menos do que eu fui um dia. Certo que não tínhamos muito contato nos últimos tempos, mas eu sempre me lembrava dele com freqüência ao ver um bar, ao ver uma cerveja ou alguém bêbado. A bomba só não caiu mais pesada porque eu sabia que isso ia acontecer rápido com ele. Uma vida daquela são poucos que agüentam. Mas ele já não era feliz por “N” motivos.

Faleceu dormindo. Menos mal.

Acho que ele já nem tinha muito mais o que fazer por aqui, mas tenho certeza que ele está bem melhor agora, de certa forma, arrisco a dizer que ele procurava por isso.

A Rua ficou cinza além do asfalto. Tá um pouco mais vazia. A rua está estranhamente sóbria.

Vai com Deus, Clodoaldo. E como sei que você gostaria de uma piada para o momento, apesar de saber que pessoas boas como você não vão para este lugar, vou mandar a brincadeira assim mesmo:

Ajeita o inferno, coloca umas ruivas gostosas pra dançar e prepara o show de rock, logo mais to chegando aí pra dar o abraço que eu não lhe dei da ultima vez em que te vi de longe… Apenas acenamos.

O velho clichê do “Ah, se eu soubesse”.

Vai com deus, Clô.

Vá com Deus.

Do seu amigo,

Sérgio Charro.

Um luto por todos nós.

Você abre os sites de notícias e só temos tragédias. Como diria o grande poeta, Renato Russo: “A violência é tão fascinante”!

Entristece-me essas coisas. Gente que morre, que é hospitalizada… Chuvas que derrubam tudo. Não que eu seja alheio a tudo isso, mas sabe, quero ler algo contente de vez em quando. Já é tão difícil combater nossos próprios problemas, e ainda fazem questão de fazer com que o nosso sofrimento seja asfixiado por de pessoas em piores condições.

É fácil você ver notícias sobre alguém de classe média que morreu, mas você não vê nada sobre alguém que nasceu.

Cansei de notícias.

Quero saber quando tem uma aurora boreal no Polo. Quero saber sobre o arco-íris que veio depois de uma tempestade. Quero saber de festas, não de brigas.

Quero saber sobre homens que beberam na porta do bar e se abraçaram em suas partidas, não que eles deram uma faca um no outro. Quero saber de torcidas organizadas que se unem por uma causa maior, não de brigas e apedrejamento. Minha cabeça está um furacão. Se eu não me mantiver longe destas noticias, acabo por ficar deprimido.  

Queria mais flores para as meninas, mais cerveja para os meninos.

Mas todos só brigam.

Nesse fim de semana acabou o único desafeto que eu tinha nesse mundo. Bebemos uma cerveja e vimos que podemos ser engraçados um com os outros. Porque fazer da possibilidade de rir, uma notícia triste numa tarde de sábado?

O ser humano se empolga com desgraça.

É comprovado cientificamente que o cérebro se atenta a cenas tristes e pessoas chorando, no entanto ignora gente rindo. É verdade, pode perceber. Quantas vezes você passou por alguém na rua que estava chorando e se perguntou “O que aconteceu com essa pessoa?”, mas você não realiza o mesmo questionamento ao ver uma pessoa sorrindo.

O ser humano é algo louco. Luta pela felicidade, mas presta atenção na agonia do mundo. Quanto mais o mundo estiver afundado, maior é a possibilidade de você se dar bem. Ninguém liga pra morte desde que essa não seja em algo que ocupe seu coração… Baseado nisso vem o show de horrores que vemos todos os dias na televisão, na internet e nos jornais impressos.

Dá-me um copo de água e senta aqui do meu lado. Vamos falar sobre alegrias, sobre como o mundo é bonito. Sobre os sucessos do ocidente, sobre a magnífica cultura do oriente. Não existem apenas guerras para se falar, temos muitas canções bonitas pra cantar.

Amanhã eu vou acordar e só falar de coisas boas.

Amanhã quero uma laranjada até o por do Sol.

Amanhã quero saber da felicidade das pessoas, mas por enquanto, só hoje, vou ver um pouco mais de infelicidade nos jornais.

As crônicas de um Derrotado.

Já é a quinta vez que tento escrever isso… Sempre que vou salvar o documento, acaba a luz ou minha irmã ,gostosa e bem sucedida, tropeça no fio da extensão e desliga tudo… Da ultima vez, no momento em que ia clicar no desenho de disquete para salvar o arquivo, o monitor explodiu, um caco voou em meu rosto, caí da cadeira batendo o pé no Gabinete do computador, que por sua vez caiu em cima do gato que começou a miar de dor… Ele teria sobrevivido, claro, isso se o curto no monitor não incendiasse o raque de madeira que fez o fogo se espalhar pelo carpete carbonizando o bichano. Com grande astúcia minha irmã apagou o fogo antes dos bombeiros chegarem e ganhou uma medalha, congratulações do prefeito e a chave da cidade… Cidade do interior, sabe como é!

No dia seguinte estava a manchete no jornal: “Rapaz incendiário é salvo por sua brava irmã”. Na foto ela com os braços cruzado, um sorriso vitorioso e eu, ao fundo, de cabelos chamuscados sendo algemado.

Bom… Agora resolvi comprar canetas e um caderno. Assim não tenho riscos de que algo de errado. Pena que tive que gastar a grana das latinhas comprando duas caixas de canetas que falham a toda hora… Tudo bem!

O fato é que sou um derrotado! Moro apenas com Clarisse, minha irmã mais velha. Minha mãe morreu ao me dar a Luz, meu pai quando foi me salvar de um atropelamento… O reto da família morreu em minha festa de aniversário de 8 anos quando um caminhão invadiu o quintal… Eu estava brincando escondido e soltei o freio de mão.

Por esses motivos, nunca tive dinheiro, consequentemente, nunca tive um Playstation. E passava horas dormindo para sonhar que tinha um, mas o máximo que conseguia sonhar, era que tinha um daqueles mini-games com mais de 500 jogos, e nos sonhs sempre acabava a bateria.

Mas vejam só, eu tive uma bola de futebol, mas por outro lado não tinha com quem jogar. Eu não tinha amigos. Tive um, mas era um camarada de poucas palavras. Morreu quando me esqueci de limpar o aquário. Que saudades daquele peixe!

Quando fiz 15 anos, um vizinho se comprometeu a dar-me uma festa de aniversário! Mas sou tão fodido, tão fodido de doer, que as pessoas do Buffet se confundiram e acharam que era festa da minha irmã que já tinha 18 anos na época… Conclusão: Fui o primeiro ser humano do gênero masculino, em todo o mundo, a ter uma festa de debutante, com musica romântica, padrinhos e até um príncipe. Claro que virei a piada na cidade por uns cinco anos, isso porque aos vinte anos consegui minha primeira namorada.

Vejam só.

No terceiro ano de namoro ela engravidou. Nos casamos. A criança nasceu e ela, assim como minha mãe, faleceu. Nove dias depois, sete homens vieram dizendo ser o pai. Fizemos testes de DNA. A coisa foi tão complexa que o exame não conseguiu apontar de quem era o pai. Era uma mistura enorme… A única certeza que saiu no resultado em letras vermelhas, era que o filho não era meu.

Quando completei 25 anos consegui meu primeiro emprego. O legal é que eu viajava muito, até mesmo para outros países, mas com o tempo vi que não tinha vocação pra limpar merda de animais daquele circo nojento… Saí de lá com a clavícula fraturada quando o elefante resolveu brincar comigo. Voltei pra casa e minha irmã me recebeu. Meu cunhado não ficou muito feliz e um dia disse pra minha irmã que iria comprar cigarros…  Acontece que ele não fumava.

Mas nem pense que ela se abalou. Logo já havia muitos pretendentes no portão de casa.

Bom, depois escrevo mais. O vaso sanitário em que eu estava sentado escrevendo isso acaba de quebrar, rasgou minha nádega e estou sangrando horrores… Depois escrevo mais.

Felicitações.

Tábata – Final

Tábata levou a mão à cabeça e depois esfregou o rosto não acreditando no que lhe disseram no telefone. Sentou-se no sofá e sentiu uma dor invadindo seu estomago, sua mente ficou agitada e desconfortável. Olhava completamente perdida, de um lado para ou outro ainda sem saber como reagir. As lagrimas lhe ensoparam a pele do rosto, pingou no antebraço e umedeceu o tecido do sofá.

Tábata não piscava se quer um minuto. A noticia lhe era estarrecedora.

Levantou-se. Dois passos para a direita, mais dois pra esquerda, Tomou rumo até sua bolsa que estava em cima da mesa de centro e logo depois agarrou as chaves de seu carro. O telefone tocou novamente, em disparada foi em direção ao aparelho, na bina acusava a ligação do Advogado Nigeriano. Fixou seu olhar e esperou que o toque cessasse. Pensou no que fez aquele tempo todo. Agora tudo estava perdido. Não importava mais, tudo havia se desfeito como areia ao vento. Tábata nunca mais poderia ir embora.

Um mês depois do enterro, foi-lhe enviado uma caixa com algumas coisas que o falecido gostaria que ela ficasse e cuidasse, entre as tralhas, estava um envelope pardo, dentro dele, havia uma carta que dizia:

“Te amo tanto, mas sinto em dizer aqui o que não tive coragem de falar pessoalmente: Estou doente. Minha médica Francesa me disse que não há muito tempo, se recebeu este envelope entre outras coisas, é porque a tragédia já ocorreu.

De onde estou, não vai rolar te mandar um postal.

Sempre te disse que o meu “adeus” seria mais incisivo que os teus.

Acho que dessa vez nunca mais me verá novamente. Se cuida e aproveita a vida, afinal, cada um de nós tem a própria.

Te amo.

Do não mais teu…

Vovó Bia

No dia 08.02 a Vovó Bia faz aniversário. É uma das pessoas mais fantásticas que conheço. Faz uma comidinha como ninguém e vive pra me mimar mesmo eu beirando os 28 anos de idade.

A Vó Bia é do tipo que batalha desde cedo. Teve um romance, daqueles bem antigos. Fugiu de casa pra poder morar com quem amava.

Construiu a própria casa com as próprias mãos! Três filhos, um deles minha querida mãe.

Vovó Bia é do tipo Bogan (Só quem joga RPG sabe o que é isso), faz de tudo, anda o dia todo e sempre luta pra agradar as pessoas… Em alguns momentos penso que meus amigos só freqüentam minha casa por causa dela! Eles fazem de tudo por ela, já por mim rsrs. Mas me sinto honrado com isso.

Ela é uma velhinha matreira.

De certo que às vezes perco a paciência com ela. Ela tenta me regrar: almoçar no horário correto, jantar. Às vezes a gente briga, mas 5 minutos depois estou indo atrás dela dar um abraço e dizer que a amo.

Um amor do tamanho do mundo!

É minha Avó. Minha Vovó.

Eu a chamo de Vovó, não de Avó, nem de  Vó! É Vovó… Brega, eu sei. Mas é assim que a chamo.

Sem mais palavras para ela.

*

Na mesma data temos a Elda que faz aniver!

A Elda conheci na faculdade. Personalidade dramática, simpática, gente boa e tem mãos bonitas! É uma grande amiga.

A Eldinha é tão carinhosa que chega a grudar! Nunca achei que tanta meiguice poderia sair de uma pessoa só!

Elda, desejo tudo de bom pra você, e apesar de eu ser bem relaxado, penso em você com bastante carinho! Você é uma ótima pessoa, alguém para se ter por perto sempre. Gosto de ver você feliz, e quero sempre poder fazer algo pra te ver assim!

Um beijo, minha querida.

Te valorizo muito mesmo!

Para minha Gláucia.

Faz tempo que não nos falamos, você já não responde meus recados e eu simplesmente não entendo o porquê.

Pensei em te ligar… Pensei mesmo. Mas não vou fazer isso. Um grande despeito de sua parte com a saudade que me arde. Você não tem coração? Transformou-se no protagonista de “O Senhor dos Anéis”.

Poxa vida. Estou morrendo de saudades!
O que te fiz? Porque se foi?

Tomara que leia isso, pois não estou satisfeito com a posição que tem tomado. Abandonar os amigos assim, sem mais nem menos. Você não vê que o amor que nutro por ti é tão grande que nem me cabe?

Mas aí você finge que morreu…

Poxa vida. Tenha dó.

Me fala o que aconteceu, minha amiga.

Me diz aonde está?

Me diz como te encontrar.

O que foi que aconteceu, amada amiga?