MEDO

Hoje eu tenho medo da morte.
E eu nem queria voltar aqui, mas voltei…

Pois hoje eu tenho medo da morte.

E eu escrevo assim: com pressa, com erros, com uma pontuação inexata, mas com uma verdade como nunca escrevi antes. Tudo isso pela morte…

Não existe tempo pra revisar um texto! Não tem mais hora pra reler… Daí escrevo assim, com pressa, sem desculpas…

Rápido, rápido! Antes que ela me alcance…

Precisamos correr, filho da mãe!

Hoje escrevo com medo da morte.

Não quero virar estrela agora…
Não antes de Deus me provar que está aí, além do universo, rindo de nossa cara… Rindo de nossas fantasias…

Ainda não é hora, mas nem tem hora a se perder com uma vírgula…

Saber o uso de uma crase… Da reticência e do finado trema… Não é tempo para se escrever direito… Temos que escrever errado! GRITAR !  Escrever certo  com a mão Esquerda! Expressar… Espreçar… espresar… Não importa…

Não é hora ainda para virar estrela…

Nunca foi hora na verdade…
Em busca da perfeição de uma arte, quantas artes perfeitas foram mortas?

Nunca foi hora para parar… Temos que ter pressa… preça… presa… Tanto faz…

A gente não quer morrer…
Depois que eu fiz a obra perfeita, a gente pensa em não morrer mais…

Quando a gente faz aquilo que é bom, você pensa em viver.

O peito dói. O coração acelera. A noite é sempre em claro…
Vocês não conseguem ver que a vida é bonita?
Vocês não enxergam que não temos tempo pra acertar?

Eu tenho medo da morte.

E você?