Adeus, Osasco.

Adeus, Osasco.

Foi na despedida que eu vi que a cidade é até que legalzinha. Trabalhei lá durante três meses e meio, pouco tempo, mas, arte-finalista que sou, precisava galgar por caminhos mais prósperos. Pedi as contas para entrar numa outra empresa mais próxima de casa.

Eu fiquei feliz, mas com uma sensação de que nunca mais voltaria àquele lugar.

Rose, a coordenadora, não acreditou quando anunciei minha partida. De seus olhos verteram lágrimas de adeus e ela deu três murros na mesa não acreditando, para depois me abraçar e dizer “Sentirei saudades de você e de sua competência, Charrinho. “É triste, mas devo ir” respondi.

A medida que ia saindo do escritório, os clientes se amontoavam na porta. Parei e olhei para eles por alguns segundos, sorri e balancei a cabeça e, com passos lentos, fui saindo. Era uma multidão me vendo partir. As pessoas abriram um corredor pra eu passar e, de um em um, começaram a aplaudir. Foi um alvoroço no sétimo andar do prédio. Eles batiam palmas e socavam o ar. Gritos de “Vai nessa, Charro” ecoavam assim como os gritos de “Puta que o pariu, ele é o melhor arte-finalista do Brasil”.

Quando a porta do elevador se abriu, muitas pessoas brigaram para entrar comigo, me tocar mais uma vez, pedir dicas de como fazer arte gráfica, perguntar qual seria meu destino. O guardanapo que eu usei para enxugar o suor, foi guardado por uma garota com uniforme da Jequiti. Ela chorava e balançava a mão num adeus frenético. “Adeus, Charro, adeus” dizia ela.

Já no térreo, os seguranças tiveram que fazer uma corrente de proteção ao meu redor. Na saída do prédio fui recepcionado pelo prefeito da cidade. “Foi uma honra que tivera pisado em Osasco durante este tempo” disse-me ele. “Uma grande honra”. Aí ele me deu a chave da cidade.

Caminhei pelo centro me despedindo da população de Osasco. Aplausos e mais aplausos. Havia uma fanfarra acompanhando meu percurso até a estação de trem. O pipoqueiro arremessava pipocas, bacon e queijo em minha direção “Vai com Deus, Charrinho”, ele falava sem conter as lágrimas da despedida.

Um circo se formou na entrada da estação. Homens que cuspiam fogo, outros que andavam em monociclos e palhaços animavam minha despedida! Para minha surpresa, André Vianco também estava lá, e pediu para que eu permanecesse na cidade natal dele. “Não, André. Esta cidade é muito pequena para que duas personalidades como nós pertençam a ela” disse eu.

Duas moças tentaram me agarrar, mas foram barradas por dois policiais e o vendedor de churrasco grego.

Da escada rolante olhei para trás. A multidão se amontoava da Rua Primitiva Vianco até a praça da estação. Prometeram-me que o Osasco Plaza Shopping passaria a se chamar “Nós Amamos o Sérgio Charro Osasco Plaza Shopping”.

Entrei no vagão do trem que haviam reservado apenas para mim na volta à Barra Funda. Havia vodca, cerveja e fandangos.

Ao descer na Barra Funda, o mundo já me pareceu normal. Eu estava em São Paulo novamente.

Essa foi a despedida de Osasco para minha pessoa….

Bom…

Ao menos é como eu gostaria que fosse, porque na verdade só apareceram três clientes o dia todo, sendo que dois se despediram de mim e a Rose, a moça do começo do texto, só me desejou boa sorte e respirou aliviada com minha partida!

Ok, Osasco. Vocês vão precisar de mim!

PostScriptum: Beijos para algumas pessoas bacanas nesse tempo de trampo em Osasco. Para a Rose que é uma fofa e pela força que me deu. Ao Japa que é engraçado até quando sério. Para o Magu e para os dois Franciscos, os três clientes mais legais. E, principalmente, para o Isildo, o cliente que fez com que eu conseguisse outro trampo, pois de tão insuportável que é, fui procurar outro local de trabalho… Eu não o aguentava mais!

 

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