As diferentes pessoas que sou de mim mesmo.


Em alguns momentos da minha pífia existência eu cheguei a pensar sobre o que é que eu fiz de tão errado.

Cheguei a passar noites pensando sobre alguma escolha que fiz que teria sido errada. Algumas delas eu, hoje, admito que foram feitas de forma impulsiva e equivocada. Daí depois abre-se um leque de possibilidades das vidas que eu nunca vou ter, mas que estive perto de viver.

O que teria acontecido caso eu tivesse realmente cursado faculdade de Arquitetura, curso que eu insistia que faria desde os 12 anos de idade?

E se eu tivesse me formado em História? Esse foi o alvo do meu primeiro vestibular. Passei, mas não pude nem começar.

Penso também no caso de eu não ter mudado de escola, durante o colégio, se eu conheceria todos os amigos dos quais hoje convivo quase que diariamente e que fazem parte de minha família.

Na garota da qual tive a infelicidade de avacalhar a vida. Como as coisas estariam caso eu fosse uma pessoa melhor em mais de dez anos atrás?

A verdade é que de todas essas coisas tão poucas realmente me tiraram o sono.

Eu poderia ter gostado mais de desenhar do que de escrever. Eu poderia ter sido o cara romântico que era quando eu tinha 17 anos.

Um passo para o lado que você dá na sua trajetória altera tudo o que você planeja. É como um meteoro dentro de um curso que é alterado por um impacto de qualquer outro corpo vagando no espaço; e por questão de milímetros você acaba se transformando numa outra pessoa.

Têm vezes que imagino que numa dimensão diferente desta, existe um outro “eu” que não sofreu estes desvios e que fez o que eu imaginava fazer nos dias do passado.

Eu penso e penso.

A conclusão que eu chego é que estas pessoas não estariam sentadas aqui agora redigindo este texto. Elas estariam longe de viver o que vivo hoje e fazendo o que faço. Talvez estariam melhores, mas quem sabe piores?

Penso sobre o cigarro que acabo de apagar. E se esse for o cigarro do câncer? E se eu tivesse resolvido parar de fumar antes dele? Mas se ele não é meu singelo torturador que me levará a morte, que mal fez eu sorver todos os tragos dos quais ele me ofereceu?

Eu penso mais um pouco. Penso sobre destino. Insisto em não acreditar.

Penso sobre Deus e tento imaginar o que ele pensa sobre mim caso saiba que existo. Ele deve rir de mim ao mesmo tempo que rio dele. A gente ri junto. A gente bebe junto e depois vamos embora cada um pra sua casa.

É.

No fim das contas me enxergo numa trilha na qual ando e ando e desvio por outros caminhos. Não quero atalhos. Gosto de caminhar. Eu quero os caminhos mais longos.

Penso em pegar a próxima entrada e deixar um outro “eu” para trás.

Desejo-lhe sorte.

Ele me sorri e diz:

– Vai se foder.

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