Morte, morte e morte.


Para começar de forma verdadeira, eu sequer sabia seu nome. Era um “japinha” de uns 28 anos de idade que bebia frequentemente no mesmo local que eu costumo, até hoje, frequentar.

Parece-me, segundo o que dizem, ele bebeu sua cerveja e, aproximadamente às 22h horas saiu com seu carro e foi acertado num cruzamento por um ônibus sanfonado. O carro foi arrastado por metros e ele faleceu ali mesmo.

Não houve notícias. Os pesares vieram de familiares e de pessoas que costumavam vê-lo beber a cervejinha dele quase sempre. Era simpático e sempre cumprimentava as pessoas.

Um dia antes da fatalidade eu o vi na esquina de minha rua. Conversamos poucas vezes, mas ele sempre fez questão de me dar um “oi” com seu sorriso de professor, que era sua profissão. Lecionava História, se não me engano.

As pessoas ficaram chocadas.

Ao que me parece, o farol estava verde para ele. Mas o ônibus fez questão de atravessar sua vida de forma brutal. Não importa se estava vermelho ou se estava verde. Não importa se foi o ônibus ou a cerveja que lhe concedeu falta de atenção. O que realmente importa é que, daqui alguns dias, quase ninguém vai se lembrar daquele japa sorridente.

Não. A morte dele me chocou, mas não chegou a doer. Eu mal o conhecia e trocamos poucas palavras entre uma cerveja e outra em mesas separadas.

O que me fode é que hoje, um rapaz que não citarei o nome, pois o Goooooooooogle faria muitas pessoas caírem aqui em suas pesquisas, infelizmente também morreu de forma trágica num acidente de carro. O rapaz trabalhava (era artista), e teve seu carro capotado. Ele e sua namorada, infelizmente, morreram.

Este rapaz deixou sua vida aos 29 anos… Uma idade semelhante ao do Japa. Eu lamento. É lamentável. Que os deuses acariciem seus familiares neste momento. Mas como eu ia dizer, o que me fode de verdade é a reação das pessoas.

Dou os pêsames àqueles que eram fãs deste rapaz. Esses também merecem condolências. Mas vejo muitas pessoas que sequer conheciam seu trabalho e estavam chocados. ]

Teriam estas pessoas se sentido assim na morte de um amigo próximo? Porque os famosos sempre nos chocam mais do que os que são próximos à gente?

Não sei.

O que me mata é que, assim como muitos, a morte do rapaz famoso, depois de um tempo, vai estar na minha lembrança; diferente do japa sorridente que sempre me cumprimentava nas ruas do bairro.

Escrevo isso para não me esquecer.

Escrevo isso para lembrar de ambos. O japonês que eu pouco conhecia e o cantor que soube da existência hoje pelos jornais.

A morte é inconveniente. Mas a dor é pior, porque arde mais quando o coletivo é maior, se é que me entendem.

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