Domingo de Páscoa.


“E pra quantas pessoas você já disse isso hoje?”

Muitas latas de cerveja descansam sobre o amplificador em minha sala. Vão reportando o que passou do feriado de páscoa. Sem crenças, sem chocolates… Nada dessas coisas que se tem nesse dia, mas ainda assim foi um final de semana prolongado bem interessante!

Engoli um inseto no meio da noite de quinta para sexta! A estas horas ele já se tornou fezes… Beleza!

Por falar em fezes, vocês têm noção que o namorado(a) de vocês defeca? Isso é algo curioso de se pensar, pois quebra a perfeição da imagem da pessoa amada.

De sexta pra sábado nem se quer lembro o que fiz. Minha cabeça anda tão bem que se eu deitar, pode enterrar… Já não presto pra muita coisa!

Ontem comemos animais mortos aqui em casa. Não foi um churrasco badalado, mas quase todos os meus melhores amigos estavam aqui. Foi fantástico. Terminamos com os homens da festas trancados na salinha berrando Matanza e demonstrando a amizade que ainda corre por aqui. Os dias estão bons, a vida mais ou menos.

É foda descobrir aos picados coisas escondidas sobre as pessoas que amamos… Isso dilacera a alma de tal forma que parece que nunca mais tem concerto, e aos poucos vamos caindo num abismo que não parece ter fim, cada vez mais descobertas, cada vez mais asco, cada vez mais paixão… Cada vez mais longe…

Mas a gente fica quieto. Ignora. Finge que não aconteceu… A memória trata de ser apagada por si só mais pra frente. Mas os gritos ecoam… tanto faz.

Ok.

A vida é insana. Hoje quero deitar para não acordar. Levar meus poucos, mas bons amigos em minha lembrança. Não tenho mais nada para escrever e nem gravar por aqui. Já são poucos que ouvem meus gritos de socorro, e eu vi aquela torre, eu vi ela me chamar, mas abandonar tudo seria exagero. É apenas mais um dramalhão mexicano-canceriano. Apenas isso.

Sou do tipo de cara que não falta nada. Não falta paixão, não falta sexo, não falta bebidas, não falta cigarros… tenho vinte amigos num maço… Mas eu também tenho alguns poucos amigos que não são cigarros… Mas me falta algo. Algo que ninguém pode me dar. Algo do que vocês acreditam, eu não. Mas pensei esses dias: “Talvez a gente seja descrente de tudo aquilo do qual mais desejamos!”. Seria verdade?

Só quero ter alguém pra falar como foi meu dia. Alguém pra desabafar. Alguém por quem juntar uma grana. Quero ter meu lugar, mas não quero estar sozinho. Cansei das latas de cerveja empilhadas na sala. Cansei de me remoer, das fotos já deletadas, dos planos já escondidos, das promessas que nunca foram cumpridas. Sou uma pessoa ruim, mas o mundo me fez assim, e cada vez mais desce o concreto da maldade em minha alma que clama por ajuda, socorro e carinho.

Alguns já não ouvem, mas eu continuo a gritar.

Deixa. As coisas são assim.

A tampa da urna há de me encobrir, aí depois será mágica.

Deixa.

Amanhã me arrependo deste post idiota de páscoa.

Feliz páscoa.

Feliz vida.

Ósculos e amplexos.

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2 Comentários

  1. eu deveria ter te conhecido antes…beeeem antes mesmo.

    que bosta! sinto a mesma coisa.

    o estômago pesa;
    a saliva engrossa;
    e a gente defeca…é assim que é…

    beijo

  2. Deveria te dizer: Construa por vc, guarde sua grana por vc… mas sei que mesmo assim dirá depois de quase tudo “construido” e agora? agora…. agora será igual a antes de guardar e construir… com a diferença que ninguém mais te diz cobranças… as cobranças chegam pelo correio….


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