O mundo não para.


   Madalaine está morta.

   Mas ele sabia que o mundo não pararia por conta de seu sofrimento. Arrastou seus pés pela cama e desgrudou a cara do travesseiro como velcro.

   Madalaine estava morta. Mas o mundo não para.

   Arrastou sua carência até o outro lado do quarto e pressionou o interruptor. A luz acendeu cortando sua vista e revelando o que ele havia se tornado ao longo daquele tempo. Mexeu os dedos dos pés. Suas unhas estavam enormes. Seus pés pareciam portar várias lâminas que o incomodavam quando ele deitava; raspavam pelo lençol e davam agonia em seus dedos. Os tênis já lhe doíam, as meias já rasgavam. Era assim desde que Madalaine se foi. Parte dele se foi junto. O cuidado e a vaidade lhe escaparam. Não fazia outra coisa se não fumar, beber e deixar a barriga crescer. Ele estava gordo e pegajoso. Não era assim quando ela estava viva. E ele nem se importava com nada disso.Não ligava mais para a saliva que acumulava na boca.

   Escovou os dentes, apesar da preguiça, e foi comprar pão… Era cedo ainda.

   Seus passos lentos e pesados revelavam alguém que já não tinha mais vontades. Ele já não cumprimentava mais o porteiro do prédio… Na verdade já não falava com mais ninguém, só com sua mãe que sempre dizia que ele precisava se recuperar, e ele respondia que Madalaine estava morta e que, apesar do mundo não parar por sua dor, ele estava estagnado e amordaçado.

   Caminhou até a padaria.

   Dois pães franceses.

   Um litro de leite.

   Não. Não esse de caixinha. Aquele de saquinho, ali!

   Leite “C” que é mais barato.

   Isso.

   Comprou mais dois maços de cigarro. Dois maços de Califórnia mentolados. Antes de sair pediu uma dose de Vodka, pura, sem acrescentar nada.

   Não ficou no balcão porque queria fumar, então com o copo, foi para fora e sentou na guia. A bebida já não lhe queimava mais a garganta.

   Bebiricava quando olhou para cima e viu alguém.

   Madalaine. Era ela. Igual. Olhos azuis. Pele branca. Cabelos ruivos. Olhar lânguido.

   Ele a encarou pasmo. Não era possível, ela ali, parada a sua frente. Mas ela estava morta, e ninguém mais do que ele tinha absoluta certeza disso. Madalaine estava morta, e o mundo não havia parado pela sua dor.

   Levantou-se da guia e tragou o cigarro enquanto a menina estava a sua frente.

   Oi.

   Oi.

   Como está?

   Assustado.

   Com o que?

   Você… Você está morta…

   (Ela riu cheia de cinismo). Acho que você não precisa continuar agindo assim. Já passou tanto tempo.

   Tempo? (Ele estava confuso).

   Acho que você não consegue aceitar as coisas (ela disse), você é como uma criança. Sempre será uma criança. E eu que vim falar com você achando que este ódio infantil havia passado. Engano o meu.

    Quem é você? (mais confuso).

    Hahahahahahaha. Você não muda. Fica nesse seu mundinho isolado da realidade. Já não me importo mais.

   Ela virou-se e foi embora. Não era ela, ele pensava. Não poderia mesmo ser, pois ele era o único que tinha absoluta certeza de que Madalaine estava morta, e mais ninguém tinha.

    Voltou pra casa. Devorou os pães. Pensou em ligar para alguém, pois depois que Madalaine se foi, passou a se entregar para a primeira proposta de sexta-feira, mas achou melhor não. Assistiu TV por todo o resto do dia. Pensou na mulher parecida com Madalaine. Resolveu ir dormir.

   Arrumou as cobertas em cima da cama e desligou o abajur.

   Acendeu o isqueiro fazendo uma fraca e pequena luz amarelada, fúnebre e triste. Abriu com dificuldade as portas daquele armário que apenas ele conseguia abrir e que Madalaine também um dia conseguiu. Ele se encolheu e adentrou. Jogou algumas roupas para o lado e lá estava.

   Sentou se.

   Afastou os cabelos dela do rosto.

   Lá estava o decomposto e ressequido corpo de Madalaine. Morto. Sem nada. Sem um pingo de vida nos olhos que um dia refletiam seu amor.

    No escuro do sono, o mundo parou pelo seu sofrimento.

    Madalaine estava viva.

    Ele sorriu.

    Ele dormiu.

***

   Nossa. Que madrugada de pesadelos tive hoje.

   Ultimamente tenho dormido e acordado no meio da madrugada completamente desconfortável! Como se a cama não fosse minha. Acho que tenho dormido pouco demais. Descansado pouco de mais.

    Apesar de mais animado, ainda não estou cem por cento. Mas estou mais animado.

    Vou ver se depois coloco umas fotos do dia em que fui ao aquário!

    Apesar de ser um aquário, os bichos que mais gostei de ver foram os Morcegos gigantes, que eu teria tirado fotos se a Elisangela não houvesse acabado com as pilhas da máquina! Mas tem tubarões, arraias e mais uma pensa de peixes estranhos para se ver por lá! Passeio recomendado!

     Tô procurando gente pra fechar um livro de contos, como este acima, que tive idéia hoje no metrô, cheguei ao trampo e escrevi. Não liguem pára os erros!

    Se escreverem ou souberem de alguém que gostaria de montar um livro de contos, falem comigo.

     Beijos, abraços e amplexos!!!

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