Rio de Janeiro.


*terminei este conto completamente bebado…. mas tinha de postá-lo.

 

 Onde eu a conheci? Eu a conheci em um bar. Sabe como é. Amiga de alguns amigos meus… Mas naquele dia conversamos pouco, bem pouco mesmo… Só depois que nos encontramos mais vezes é que vimos que tínhamos muita afinidade.

 Ela era encantadora. Tinha um sorriso lindo, um sorriso que faria a Angelina Jolie ficar morrendo de inveja. Um sorriso que cativava; dava vontade de roubar aquela boca e guardar bem longe do tempo e de qualquer outra coisa que cometesse o crime de modificar aqueles traços. Os olhos dela eram bastante expressivos. De um castanho forte… Qualquer um chamaria de “olhos comuns”, mas ela tinha algo diferente… Era o brilho dos olhos… Aquilo fazia com que eu meu reprimisse; meu estomago doía toda vez que eu cruzava meus olhos com os dela. Ela era linda. O cabelo sempre estava diferente, cada dia de um jeito.

  Sabe… Depois de tanto tempo, fico me perguntando como teria sido se eu aceitasse de imediato ir embora com ela.

  Ela era artista, eu queria ser. Ela estava montando uma trupe de artistas para viajar por aí, e tinha vindo para São Paulo justamente por causa deste sonho. Ela queria juntar muitas pessoas para espalhar a arte por aí.

  Em uma das vezes em que conversávamos, ela me disse que saiu de Curitiba. Morou lá durante nove anos de sua vida. Eu nunca soube por onde ela andou antes destes nove anos, mas também pouco importa para o que estou te contando. O fato é que fazia pouco tempo que ela chegara à capital Paulista para dar inicio aos seus sonhos.

   Depois que nos beijamos pela primeira vez, os olhos dela encararam os meus. Ela me pediu para que fossemos embora, mas eu não podia. Eu adorava São Paulo, apesar da dificuldade de viver em uma cidade que tão pouco dá em troca, eu ainda a amava, ou achava que amava. Não poderia, assim, sair de São Paulo de uma hora para outra…  Ela insistia: “Vamos para o Rio de Janeiro”. E eu respondia: “Eu queria muito, mas ainda não sei como deixar São Paulo!”

   Ela ficou um tempo insistindo.

   Sem nunca dizer nada, a cada dia que passava eu colocava algumas peças de roupa em minha mala. Eu estava determinado a ir embora com ela para o Rio, ser feliz, enfim!

   Nós seriamos o casal de artistas mais talentosos da cidade maravilhosa, e cada vez que eu pensava me aumentava a vontade de fugir com ela para longe da selva de pedra, pra bem longe.

   Eu devaneava quando ela falava do corcovado, quando ela colava a boca dela na minha, quando ela me chamava de “gato” com uma leve lentidão embriagada… Ah! Eu já não queria mais saber viver sem ela, mas ainda estava juntando coragem para deixar São Paulo para trás e ir embora. Paulistas geralmente costumam ser territorial demais. Demoram a se acostumam com outro local… Mas eu estava determinado.

    Houve uma noite em que ela me disse que estava indo comprar a passagem dela para o Rio de Janeiro. Ela estava com uma voz triste, robótica… Aquela era a hora em que eu tinha que me decidir… A maioria de minhas roupas já estava dentro da mala que esperava para viajar! Decidi. Compraria minha passagem no dia seguinte e iria com ela. Faria surpresa…

   No dia seguinte, logo cedo, ela me ligou. Eu havia acabado de comprar minha passagem. Ela me ligou fazendo com meu mundo desabasse diante de tudo aquilo que sonhei. O problema é que demorei pra decidir… Ela disse que estava, na verdade, voltando pára Curitiba, pois não esquecera a cidade depois dos nove anos em que viveu lá. Ela queria voltar para Curitiba.

  Eu ainda pensava “E nossa Rio de Janeiro?”, eu não encaixava mais os pensamentos nos meus sonhos. Por um momento de desespero, tive que agredi-la com palavras duras… Eu falava que não era justo que ela fosse embora para Curitiba quando me prometeu um lar! – Eu a chamava de falsa – Ela me chamava de covarde – Covarde por nunca, na verdade, ter certeza de que viveria em outro lugar… E assim ela partiu, debaixo da troca de ofensas. Ela se foi com lagrimas nos olhos, mas voltou para sua amada cidade. Ela teve a coragem que eu deveria ter.

  Hoje fico aqui… Com a passagem na mão… Rio de Janeiro. Devo ir? Tenho vontade de ir mas  e se não encontrá-la? E se ela, de fato, voltou pra Curitiba?

   Este meu relato termina em uma interrogação terrível, mas este não será o fim. Pois a amo. Preciso saber mais sobre o Rio.

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2 Comentários

  1. venha ver o rio hahahha não respondi àquela pergunta, mas querendo vir, sua hospedagem será providenciada!

  2. Sem palavras…bom demais!


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