Hemácia.


 Vejo a hemácia vazando de mim, esvaindo de mim cada vez mais e levando o ser que um dia fui. Nunca serei o que eu era e estou cada vez mais longe do que queria ser. Cada vez mais perto de um outro ser.
 Vejo tudo se misturando de uma forma que fica difícil de separar, os pensamentos vão embora assim como todo o vermelho do meu corpo, e quando finalmente não houver mais nenhuma de minhas hemácias dentro de mim, meu ser poderá finalmente descançar em paz, assim como deve ser e assim como é o destino de cada um, pois o único destino que realmente está escrito é nossa própria falência.
 Vejo tudo e não sinto nada. Me sinto cego. Não estou entendendo e me sinto por muitas vezes confuso. Acordado e letárgico sem captar nada e jogando com palavras. O jogo acabou, as hemácias também. Vou rumo a Epicuro no mundo de Platão.

 Platão estava certo. Darwin também.

Evolução ou regressão.

“… Obviamente algumas vezes era culpa dele que com tantos acontecimentos havia ficado um pouco grosseiro, seco e vazio; não vazio de amor, mas sim de noção e importância…”

– Trecho de A balada do Homem que não Chorava.

2 comentários em “Hemácia.

  1. Nunca somos os mesmos…é FATO…sempre mudamos…deixamos por ai um pedaço vazar…até que mudamos completamente…AI…não somo nós…
    Sei la…rsrs..
    Bju…Te amo…chuchu

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